Mau tempo na pesca. "Não se vive. Sobrevive-se. Guardamos da risa para a chora"

Armadores Augusto Marques e Fábio Craveiro. O mau tempo paralisou a atividade piscatória na orla costeira portuguesa
Foto: Carlos Carneiro
Armadores da Póvoa de Varzim têm os barcos sem ir ao mar e continuam a pagar os salários dos indonésios. As contas acumulam-se.
"Agora, há já um mês que não vou ao mar. Em dezembro, de 27 marés, dei seis", explica Fábio Craveiro, encolhendo os ombros, resignado. 38 anos de vida, 19 como mestre a bordo do "Mestre Cruz", matriculado no porto da Póvoa de Varzim. Tem dez tripulantes a bordo, três em terra, mais três mulheres para vender o peixe. 16 famílias que dependem de si. Por estes dias, "é só dinheiro a sair, nem um tostão a entrar" e apoios, "nem vê-los". Ali, no seio da maior comunidade piscatória do país, a pesca já há muito que não atrai jovens. É por estas e por outras que Fábio não se admira.
