
Para uns, foi o Natal que chegou mais cedo às Caxinas, Vila do Conde. Para outros, o Euromilhões. Na verdade, foi um helicóptero que passava por mero acaso junto a uma balsa perdida em alto-mar e resgatou, com vida, seis pescadores à deriva há três dias.
Quando já tudo parecia perdido, quando até o próprio presidente da Junta de Freguesia de Vila do Conde admitia estarem a ser mentalmente "preparados" os funerais dos seis tripulantes da embarcação de pesca Virgem do Sameiro, que naufragou na passada terça-feira ao largo da Figueira da Foz, eis que, sexta-feira de manhã, deu-se um "milagre" 22 quilómetros a noroeste do Cabo Mondego: um helicóptero da Força Aérea, que participava numa operação de rotina de fiscalização de pescas, encontrou, por mero acaso, a pequena balsa que alimentou a esperança dos seis desesperados homens das Caxinas.
De acordo com o presidente da associação Pró-Maior Segurança dos Homens do Mar, José Festas, o naufrágio terá acontecido cerca das 2 horas de quarta-feira, quando já só o mestre do "Virgem do Sameiro" se encontrava acordado. José Manuel Coentrão ter-se-á apercebido da entrada repentina de água no barco e já não teve tempo para muito mais que não fosse colocar a balsa em água, gritar aos colegas que se encontravam a descansar e ordenar-lhes que saltassem. Ainda tentou pegar num telemóvel, mas só conseguiu levar um edredão. O barco afundou-se em menos de 10 minutos. Ninguém encontra uma explicação para o acidente.
Barcos perto... e longe
Apenas com água potável, medicamentos e pouca roupa, os "melhores pescadores do Mundo", como lhes chamou o presidente da Câmara de Vila do Conde, Mário de Almeida, sobreviveram, durante 57 horas, às agruras do mar. Só um dos seis perdeu o controlo e tornou-se violento, obrigando os colegas a manietá-lo. Os outros, mesmo quando dois navios passaram perto da balsa sem a avistar, resistiram.
Resgatados e transportados para a Base Aérea de Monte Real, Leiria, os seis náufragos foram assistidos no Hospital Santo André, em Leiria. Ao final da tarde de sexta-feira, cinco regressaram às Caxinas, num ambiente de euforia. No autocarro que a Câmara de Vila do Conde cedeu para transportar as famílias dos pescadores, chorava-se, batiam-se palmas, distribuiam-se abraços.
O único pescador que permaneceu em observações no Hospital de Leiria, António Maravalhas, será transferido este sábado para o Hospital da Póvoa de Varzim.
