Movimento Gaia Verde organizou caminhada para manter TGV em Santo Ovídio

Caminhada contra a mudança da linha de alta velocidade para Vilar do Paraíso contou com cerca de 30 pessoas
Foto: André Rolo
O Movimento Gaia Verde, que tem como objetivo lutar pela preservação da natureza, organizou uma caminhada, destinada a alertar para o impacto ambiental da mudança da linha de alta velocidade para Vilar do Paraíso, cuja estação será construída em cima da ribeira de Valverde. Responsáveis acreditam que Santo Ovídio é um destino melhor para o traçado do TGV.
Ainda não eram 10 horas quando as primeiras pessoas chegaram à Capela de São Caetano, em Vilar do Paraíso, para discutir o futuro da linha de alta velocidade. Antes do início da caminhada, que seguiu em direção à zona do Guardal de Cima, onde está programada a estação, houve uma reunião, na qual todos deram conta das suas preocupações com a recente alteração do projeto.
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"Há dois pontos essenciais que divergem bastante do estudo prévio e do concurso público adjudicado. Um deles é mudar a localização da estação de TGV em Santo Ovídio, que faz todo o sentido do ponto de vista de ligação de transportes públicos e até da própria viabilidade do projeto no seu todo, para Vilar do Paraíso, no Guardal de Cima. Esta mudança não visa a eficiência de mobilidade nem o plano urbanístico", começou por explicar uma das responsáveis do Movimento Gaia Verde, Ana Poças.
"A outra questão é que o traçado avaliado no estudo prévio, como o que teria menor impacto ambiental, é ignorado pelo consórcio. Cerca de 65% do traçado em Gaia seria em túnel, mas, nesta nova versão que está em consulta pública, irá passar à superfície, o que teria um impacto brutal, para empresas que já estão a receber propostas para serem expropriadas e para a população", salientou Ana Poças.

Apesar de não concordar com a alteração, o movimento acredita que este é um projeto de "interesse nacional, que beneficiaria Gaia e o país". No entanto, acreditam que Santo Ovídio teria mais vantagens. "O processo da deslocalização de uma estação que seria central e que poderia potenciar novas dinâmicas de mobilidade suave, não parece fazer sentido. Não somos contra a alta velocidade, somos apenas preocupados com a mudança para Vilar do Paraíso", assinalou outro dos responsáveis, Ricardo Silva.
Os cidadãos que iam chegando à medida que a conversa se desenvolvia também fizeram questão de mostrar o seu desagrado. Fernando Bernardo, carpinteiro de 74 anos, tem a sua carpintaria em risco de expropriação e lamenta toda esta situação.
"Este problema não me dá descanso. Não sei como é que será o futuro, mas sei que na minha rua há armazéns e casas que vão ser expropriadas. Porque é que não fazem a linha subterrânea e deixam as casas como estão? Segundo consta, é porque é mais barato à superfície", desabafou o idoso.
Mas não só as pessoas estão no centro das preocupações do Movimento Gaia Verde, que tem cerca de três meses, uma vez que há quem alerte para o impacto ambiental da mudança da linha do TGV. "O nosso foco é o que o concelho de Gaia será depois deste projeto. Estamos atentos às questões relacionados com espaços verdes, rios e parques", explicou Filipe Silva.
Este último ponto ganha especial relevo porque a estação em Vilar do Paraíso teria de ser construído em cima da cabeceira da ribeira de Valverde. No futuro, esta decisão poderá trazer problemas relacionados com cheias e inundações, além do óbvio impacto na Natureza.

