Museu mostra processo disciplinar de Salazar a Aristides de Sousa Mendes

Museu dedica espaço ao ano decisivo da vida de Aristides e de milhares de pessoas
Foto: Pedro Granadeiro
O Museu Aristides de Sousa Mendes mostra, pela primeira vez, o processo disciplinar movido por Oliveira Salazar ao antigo cônsul português em Bordéus, que salvou milhares de judeus da perseguição e da morte nazi, durante a II Guerra Mundial.
O documento será apresentado no Museu Aristides Sousa Mendes, em Cabanas de Viriato, terça-feira, Dia em Memória das Vítimas do Holocausto, pelas 15 horas. Entre outros convidados, estará presente o Procurador-Geral da República, Amadeu Guerra. A iniciativa é organizada pela Fundação Aristides de Sousa Mendes e Museu Aristides Sousa Mendes, tendo como parceiros principais o Município de Carregal do Sal, o Governo da República Portuguesa, e o Centro de Estudos Judiciários.
O processo disciplinar movido por Oliveira Salazar a Aristides de Sousa Mendes, em 1940, mudou definitivamente a vida do antigo cônsul português, que desafiou o ditador que governava Portugal, que proibiu a emissão de vistos a judeus que fugiam do Holocausto. Aristides passou todos os salvo-condutos que conseguiu, muitos emitidos numa secretária na rua, à porta de casa, e acabaria castigado e na pobreza.
Segundo a Fundação que honra o nome e a memória do antigo cônsul, o ato desafiador a Salazar permitiu emitir vistos que salvaram pelo menos 15 mil pessoas na II Guerra Mundial.
Inaugurado a 19 de julho de 2024, o Museu Aristides de Sousa Mendes recebeu cerca de 40 mil visitantes, incluindo quatro mil alunos de escolas de norte a sul do país, no primeiro ano de atividade. Para assinalar o primeiro aniversário, descendentes do antigo cônsul português em Bordéus estiveram com os visitantes na Casa do Passal, a antiga residência da família em Cabanas de Viriato, que esteve ao abandono durante décadas.

