No Bonfim, há quem viva em carros e tendas. "Estou na classe de sem-abrigo, mas não me sinto assim"
Na zona das Eirinhas, no Bonfim, vivem pessoas em carros e tendas. Há quem recuse acolhimento e opte por apoio alimentar Plano municipal prevê gestor de caso para utentes.
José - chamemos-lhe assim, porque prefere resguardar a identidade - é lapidar, mas sereno. "A heroína é uma viagem sem regresso", diz, taxativo, apoiado na traseira da carrinha de mercadorias a que chama casa desde a pandemia. Estacionou-a à porta do antigo Hospital Joaquim Urbano, na zona das Eirinhas, no Bonfim, e não por acaso: fica a poucos passos do Centro de Acolhimento Temporário Joaquim Urbano (CATJU), onde recusou instalar-se, aceitando apenas fazer ali as refeições e a higiene diária. E não está longe da AMI - Assistência Médica Internacional, que também apoia pessoas sem-abrigo.

