
Pedro Duarte toma posse esta quarta-feira à tarde, a partir das 18 horas
Foto: Pedro Correia
Pedro Duarte toma posse, esta quarta-feira, como presidente da Câmara do Porto, sucedendo a Rui Moreira, de cujo legado quer aproveitar algumas virtualidades. A cerimónia terá lugar no Mosteiro de São Bento da Vitória, às 18 horas, e marca um novo ciclo na gestão autárquica da segunda cidade do país. Afinal, quais são os grandes desafios do homem que quer afirmar-se como a nova voz do Norte? Escolhemos cinco.
1. Governabilidade conseguida "à custa" do PS
Na ressaca da vitória eleitoral, ainda abanado pelos resultados, Pedro Duarte disse ao que vinha. Não iria abdicar de governar com o seu programa, mesmo que, para isso, fosse obrigado a um jogo de cintura político que, quando em funções no Governo de Luís Montenegro, como ministro dos Assuntos Parlamentares, provou saber fazer. Leia-se: negociando com uma Oposição que, junta, agrega uma maioria que a coligação PDS/CDS/IL não granjeou. Na cabeça do novo presidente da Câmara do Porto só havia um cenário admissível: negociar caso a caso, navegando à vista. A coligação que venceu o Porto tem seis lugares de vereação, os mesmos que os socialistas derrotados, a que se junta Miguel Corte-Real, deputado do Chega. Contudo, num inesperado golpe de asa, e horas antes da tomada de posse, Pedro Duarte conseguiu, esta quarta-feira, "roubar" o vereador da Cultura ao PS e, com isso, garantir a maioria. Jorge Sobrado, que era o candidato ao pelouro nas listas socialistas, aceitou o repto do novo autarca e, com isso, possibilita uma navegação política estável, uma vez que, agora, a coligação que governará o Porto passará a ter sete vereadores, contra cinco do PS e um do Chega. Na entrevista que concedeu ao Jornal de Notícias e à TSF, Pedro Duarte rejeitara atribuir pelouros à Oposição, admitindo que iria negociar caso e caso e revelando-se intransigente no que se refere a concessões programáticas. Esta é, por isso, uma saída política airosa que lhe traz tranquilidade e permite estabelecer pontes com os socialistas nos próximos quatro anos, remetendo para um plano secundário um eventual ascendente político que o deputado do Chega poderia esperar, como fator de "desempate" aritmético.

