
Chiara Ferragni, acostumada aos holofotes da moda, enfrenta agora o olhar rigoroso da justiça italiana
Foto: Piero Cruciatti / AFP
Influencer italiana está a ser julgada por alegada fraude em campanhas de produtos que prometiam apoiar causas solidárias. Chiara Ferragni afirma que nunca quis enganar ninguém e espera limpar o seu nome em tribunal.
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Chiara Ferragni voltou a uma sala de audiências, desta vez sem holofotes ou marcas de luxo em destaque. A empresária digital, seguida por milhões à volta do mundo, apresentou-se no Tribunal de Milão devido ao processo que pode mudar o rumo da sua carreira. O Ministério Público pede um ano e oito meses de prisão, considerando que houve lucro indevido na venda de um pandoro de Natal e de ovos de Páscoa que anunciavam contribuições para projetos de solidariedade infantil.
A sessão decorreu à porta fechada. Ferragni chegou antes do previsto para evitar o corredor de câmaras e fotógrafos que a aguardavam. Quando teve oportunidade de se dirigir ao juiz, falou com voz firme e procurou afastar a ideia de que tivesse usado a beneficência como estratégia comercial. Garantiu que tudo foi feito com o intuito de ajudar e que "nenhum euro foi arrecadado com segundas intenções".
Comunicação questionada
O caso ganhou forma quando as autoridades concluíram que as doações anunciadas não dependiam das vendas dos produtos, ao contrário da mensagem veiculada na altura da campanha. O consumidor comprava o doce com a convicção de que estava a contribuir para apoiar crianças em tratamento hospitalar, mas o valor que chegou efetivamente à causa já estava definido à partida.
A polémica prejudicou a imagem de Chiara perante o público que a acompanha diariamente. Muitos seguidores sentiram que a confiança depositada numa das figuras mais influentes das redes sociais tinha sido traída. A defesa tenta agora demonstrar que a comunicação foi apenas mal interpretada. Recorda ainda que foram pagas multas e efetuadas doações significativas, numa tentativa de repor toda a eventual injustiça.
O que se segue
O julgamento encontra-se na reta final. A última sessão, dedicada aos argumentos da defesa, está marcada para 19 de dezembro. A sentença deverá ser conhecida entre o final do ano e o início de janeiro.
Chiara Ferragni tem repetido que "nunca quis enganar o seu público", um público que sempre esteve no centro da sua história de ascensão meteórica. Aguarda agora que a justiça reconheça essa versão. Até lá, o "Pandoro Gate" mantém-se como uma sombra sobre a figura que transformou o lifestyle digital numa forma de negócio e cultura.

