
Na semana passada, André anunciou a renúncia ao título de duque de Iorque e à Ordem da Jarreteira devido aos seus vínculos com o caso Jeffrey Epstein
Foto: Andy Rain/EPA
Depois de perder funções oficiais e deixar de usar títulos na sequência do caso Epstein, o duque de Iorque enfrenta nova pressão para abandonar o Royal Lodge, em Windsor. Um xeque de Abu Dhabi terá oferecido ao irmão do rei Carlos III um palácio luxuoso no deserto.
O príncipe André, duque de Iorque, está em negociações avançadas com assessores do rei Carlos III para deixar o Royal Lodge, a imponente residência de 30 quartos em Windsor Great Park, a cerca de 30 quilómetros a oeste de Londres, onde vive sob crescente escrutínio público.
A discussão sobre o seu futuro intensificou-se após críticas à renda simbólica que paga pela casa e à pressão pública resultante do caso Jeffrey Epstein, envolvendo alegações de abuso sexual por parte de associados do financista norte-americano, que lhe custou funções oficiais e o afastamento do uso de títulos e honras.
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Segundo "The Guardian", o Palácio de Buckingham tem procurado aumentar a pressão para que o príncipe entregue voluntariamente a propriedade, arrendada desde 2003 por um milhão de libras (cerca de 1,15 milhões de euros), com a obrigação de suportar sete milhões e meio (aproximadamente 8,6 milhões de euros) em obras de renovação. O contrato, válido até 2078, impede a sua expulsão, mas fontes próximas admitem que "é agora quase inevitável".
Refúgio dourado no deserto
De acordo com "The Sun", o governante de Abu Dhabi, o xeque Mohamed bin Zayed Al Nahyan, terá oferecido a André uma residência palaciana junto a um canal, com seis suites, ginásio, piscina interior e sala de cinema. A proposta incluirá o uso gratuito do imóvel, como gesto de cortesia por anteriores contactos diplomáticos entre o duque e os Emirados Árabes Unidos.
Sarah Ferguson, ex-mulher de André e ainda sua companheira de casa, também poderá acompanhá-lo. Caso aceite o convite, o duque seguirá os passos do rei emérito espanhol Juan Carlos I, que vive em Abu Dhabi desde 2020. A concretizar-se, a mudança representará um novo capítulo no exílio discreto de figuras reais afastadas do núcleo da monarquia.
O Palácio de Buckingham recusou comentar as notícias. Sabe-se, no entanto, que Carlos III tem tentado, há vários meses, convencer o irmão a abandonar a residência. O rei terá mesmo cortado o apoio financeiro que lhe concedia, tornando a permanência no Royal Lodge cada vez mais difícil de sustentar.
Desde o escândalo Epstein, que envolveu alegações de abuso sexual por parte de associados do financista norte-americano, o Príncipe André perdeu funções oficiais e deixou de usar títulos e honras. Em 2022, pagou milhões para resolver fora dos tribunais o processo movido por Virginia Giuffre, que o acusava de agressão sexual quando tinha dezassete anos, o que André sempre negou.

