
Rei Carlos III retirou a André todos os títulos reais e a residência no Castelo de Windsor
Foto: Adrian Dennis / AFP
Decisão sem precedentes afasta André de qualquer estatuto real. O rei Carlos III determinou ainda que o irmão abandone a Royal Lodge, a residência que ocupa há décadas em Windsor, e manifestou apoio às vítimas de abuso.
O Palácio de Buckingham anunciou, esta quinta-feira, que o rei Carlos III retirou formalmente todos os títulos, estilos e honras ao seu irmão, André, o antigo Duque de Iorque.
A decisão, descrita como "sem precedentes", marca o afastamento total de André da vida institucional da monarquia britânica e encerra anos de polémica em torno da sua conduta e do seu estatuto.
O filho mais novo da rainha Isabel II passa a ser conhecido apenas como Andrew Mountbatten Windsor, deixando de ter direito ao tratamento de Sua Alteza Real e aos títulos que lhe foram atribuídos pela mãe, incluindo Duque de Iorque, Conde de Inverness e Barão Killyleagh.
A medida abrange também a perda das honras da Ordem da Jarreteira e da Ordem Real Vitoriana, consideradas entre as mais prestigiadas da realeza britânica.
"Sua Majestade iniciou esta quinta-feira um processo formal para remover o estilo, os títulos e as honras do Príncipe André. O Príncipe André será agora conhecido como Andrew Mountbatten Windsor", lê-se no comunicado oficial.
Fim da Royal Lodge e mensagem do rei
O Palácio confirmou ainda que André terá de deixar a Royal Lodge, a residência em Windsor que ocupava há décadas.
"O contrato de arrendamento concedia-lhe proteção legal para continuar a residir na propriedade. Foi agora emitido aviso formal para entrega do imóvel, e André mudará para alojamento privado", refere a nota oficial.
"Estas medidas são consideradas necessárias, apesar de ele continuar a negar as acusações contra si. As Suas Majestades desejam deixar claro que os seus pensamentos e as mais sinceras simpatias estão, e continuarão a estar, com as vítimas e sobreviventes de todas as formas de abuso", acrescenta o Palácio de Buckingham.
A decisão surge num contexto de renovado escrutínio público sobre as ligações de André ao falecido magnata Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais nos EUA.
O caso voltou a ganhar destaque após a publicação póstuma das memórias de Virginia Giuffre, que descreve alegados encontros com o então príncipe quando tinha dezassete anos. André nega todas as acusações e nunca foi formalmente acusado de qualquer crime.
Fontes próximas do Palácio, citadas pela revista "People", confirmam que a decisão foi tomada diretamente por Carlos III, recorrendo à Prerrogativa Real, poder que permite ao monarca gerir títulos e honrarias sem necessidade de aprovação parlamentar. A medida tem o apoio do príncipe William e de outros membros seniores da família real.
Um gesto inédito em mais de um século
O precedente mais próximo remonta a 1917, quando Ernesto Augusto, Duque de Cumberland, perdeu os seus títulos por apoiar a Alemanha durante a Primeira Guerra Mundial.
Mesmo Eduardo VIII, que abdicou do trono em 1936, manteve o título de Duque de Windsor, atribuído pelo irmão, o rei Jorge VI.
As princesas Beatrice e Eugenie, filhas de André e Sarah Ferguson, mantêm os seus títulos, de acordo com as Cartas Patentes de 1917, que garantem o estatuto de princesa ou príncipe aos filhos de um filho de um soberano.
Aos sessenta e cinco anos, André vê-se afastado de todas as funções públicas e privilégios da Casa Real. Fica-lhe apenas o apelido familiar, Mountbatten Windsor, e um futuro reservado à esfera privada, longe dos deveres e honras que marcaram grande parte da sua vida.

