Os idosos do lar acusado de maus tratos, em Azeitão, vão ser retirados esta terça-feira e devem ser levados para a junta de freguesia de São Lourenço até que as famílias os recolham. Duas técnicas da Segurança Social de Setúbal, acompanhadas por três militares da GNR, estiveram nas instalações.
Fonte da Segurança Social adiantou à agência Lusa que duas carrinhas irão transportar os sete idosos que ainda se encontram no lar Idoso 24, em Azeitão, Setúbal, devendo estes ser transportados para a junta de freguesia de São Lourenço, onde irá funcionar um centro de atendimento para lhes ministrar refeições até que as famílias os recolham.
Contactada pela Lusa, a presidente da junta de São Lourenço, Celestina Neves, referiu que o acolhimento dos idosos "não é oficial", mas admitiu ter sido contactada pela diretora da Segurança Social de Setúbal para saber da possibilidade de ali criar um centro de acolhimento.
Nas instalações do lar Idoso 24 estão quatro elementos da Segurança Social e seis da Direção Regional de Saúde de Setúbal a inspecionar as condições da casa de acolhimento dos idosos.
A TVI mostrou, na segunda-feira, uma reportagem com imagens de um lar de idosos em Azeitão, Setúbal, onde cerca de 20 pessoas passam alegadamente fome e frio, são maltratados, e recebem medicação a mais.
Proprietário nega acusações de maus tratos
O proprietário do lar já admitiu que nunca teve esta instalação a funcionar nas condições determinadas pela Segurança Social, negando, no entanto, que os idosos fossem vítimas de maus tratos ou passassem carências alimentares.
Segundo Carlos Prado, as acusações terão sido manipuladas e inventadas por "um idoso muito problemático, o senhor Edmundo, que chegou a agredir funcionárias" do lar.
Carlos Prado disse estar disposto a colaborar com as autoridades e a encerrar o lar, mostrando intenção de devolver os idosos às famílias.
Uma banana divida por três
Uma vizinha de uma casa contígua ao lar, Maria da Piedade, disse à agência lusa que, em agosto, tinha visto a chefe das empregadas do lar, "a Raquel, a molhar os idosos com uma mangueira (...) dos bicos dos pés à cabeça".
"Na altura, disse-lhe que era desumano o que ela estava a fazer e que eu não fazia isso nem aos meus animais e disse-lhe que ia telefonar à guarda", referiu a mesma fonte.
Segundo acrescentou, Maria da Piedade telefonou para a GNR, "mas a guarda disse que não tinha tempo" para ir ao lar e que devia ter sido tirada uma fotografia. "Na altura não me lembrei disso", explicou.
Segundo Maria da Peidade, alguns idosos contaram-lhe que passavam o dia "com uma banana dividida por três, um papo-seco dividido por dois e chá de limão sem mais nada".
Segundo esta testemunha, o lar está aberto "há um ano e tal" e o facto de ser uma vivenda com muitos lances de escadas fez com que tivesse alertado o proprietário para a falta de condições enquanto lar de idosos, ao que este lhe terá respondido que "iria fazer obras" e que iria colocar elevadores para transporte.
