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Ventura quer ser​ a mudança "segura" e apela à fibra dos líderes da Direita

André Ventura apela a cruzada contra o socialismo Foto: Rita Chantre

André Ventura começou este domingo à noite a corrida para a segunda volta das eleições presidenciais a desafiar os líderes do PSD e da IL a mostrarem de que "fibra são feitos", chamando para si a liderança do "espaço não socialista" em Portugal. "A Direita só perderá eleições com o egoísmo do PSD, da IL", reiterou, prometendo que vai lutar por cada "milímetro" a vitória com António José Seguro.

Os festejos começaram cedo na sede do líder do Chega. No desenrolar da noite, as cadeiras do quartel-general de Ventura, no Hotel Marriott, em Lisboa, foram-se enchendo com centenas de apoiantes entusiasmados à medida que os resultados eram divulgados nas televisões. O candidato cumpriu a tradição e chegou à sede já depois das primeiras projeções que o confirmavam na segunda volta, acompanhado pela mulher, depois de assistir à missa na igreja de São Nicolau, em Lisboa.

À entrada, o líder do Chega reclamou para si a "liderança da Direita" em Portugal e o objetivo de agregar estes eleitores no segundo "round" da corrida a Belém. No palanque, confirmou as palavras no discurso final. "Vamos liderar o espaço não socialista em Portugal", começou por dizer, notando que "o país despertou de Norte a Sul".

"Se eu vencer, Portugal continuará a ser o país amistoso e amoroso que sempre foi, mas não deixarei nunca mais que o nosso país seja humilhado por qualquer Estado ou chefe de Estado estrangeiro"

"Conseguimos derrotar o candidato do Governo e do montenegrismo, o candidato que se dizia liberal, mas tinha estado na agenda globalista, woke, e contra Portugal (...) e fizemos campanha sem picardia pessoal, sem ofensa", acrescentou. Virado para a plateia, que o foi interrompendo com cânticos de apoio, Ventura aproveitou para relembrar a "campanha popular" que fez nos últimos dias e a afirmar que os resultados da noite, que o catapultaram para a segunda volta, foram a "maior honra" que teve na vida. "Quiseram distrair-nos com quem seria o próximo líder do Chega, do que pensávamos dos outros candidatos. Quis o destino que acabássemos a disputar com o candidato socialista", atirou.

Na segunda parte da intervenção, virou a agulha para os líderes dos partidos da Direita e para "o povo que não quer o socialista". "A Direita só perderá eleições com o egoísmo do PSD, da IL e de outros que se dizem de Direita e querem fazer reformas. Agora é que vamos ver a fibra de que são feitos", afirmou, apelando ao apoio na sua candidatura. Ventura recordou ainda as eleições de 1986, entre Mário Soares e Freitas do Amaral, para dizer que agora "acontecerá o contrário" e que "irá vencer as eleições".

"A Direita só perderá eleições com o egoísmo do PSD, da IL e de outros que se dizem de Direita e querem fazer reformas. Agora é que vamos ver a fibra de que são feitos" (...) "Vamos liderar o espaço não socialista em Portugal"

No final, destacou o papel dos emigrantes, que "com dificuldades" votaram pelo em todas as partes do Mundo, e aproveitou o momento para fazer mira ao candidato apoiado pelo PS. "António José Seguro representará o regresso da tralha de José Sócrates a Portugal", referiu.

Apela a escolha segura

"Há uma escolha segura, não Seguro, em relação à segunda volta. Não tenham medo da mudança. O país sofreu um abalo nas legislativas e melhorámos desde então, demos passos. Confiem em mim, na mudança segura que pode acontecer em Portugal", apelou novamente.

Com firmeza e o alvo bem definido, tocou no tema da imigração e garantiu que Seguro "vai permitir que as portas continuem abertas". "Estas eleições também são sobre isso: os imigrantes que vêm e as minorias que cá estão comigo vão ter de cumprir a lei", reforçou.

Sobre o futuro, aludiu ao 25 de Abril para nomear "avanços, retrocessos e erros", abrindo mão dos que ficam "abandonados e amargurados". "Se eu vencer, Portugal continuará a ser o país amistoso e amoroso que sempre foi, mas não deixarei nunca mais que seja humilhado por qualquer Estado ou chefe de Estado estrangeiro", disse.

A noite terminou com a garantia de que disputará cada "milímetro" do espaço eleitoral. Sem direito a perguntas dos jornalistas.

Abílio T. Ribeiro