
António José Seguro foi o grande vencedor da noite e apelou ao voto dos democratas
Foto: Mário Vasa
António José Seguro agregou os votos da Esquerda e venceu a primeira volta das eleições presidenciais, com 31%. O candidato apoiado pelo PS foi o grande vencedor da noite eleitoral de ontem, em que também André Ventura sorriu, pois o resultado de 24% permite-lhe passar à segunda volta e afirmar-se como líder da Direita em Portugal. Cotrim (16%) acusou as polémicas do final da campanha, Gouveia e Melo (12%) não conseguiu descolar e Marques Mendes (11%) teve o pior resultado de sempre de um candidato apoiado pelo Governo.
O candidato a primeiro-ministro que o PS afastou nas primárias de 2014 e que agora só apoiou quando não havia mais ninguém da ala socialista conseguiu uma vitória eleitoral num dos momentos de maior fragilidade daquele partido.
António José Seguro acaba premiado por uma campanha menos polémica do que a dos adversários. Teve ainda sucesso no apelo a um voto útil que dizimou a restante Esquerda e com a qual conta para a segunda volta. Jorge Pinto, Catarina Martins, António Filipe e o PAN já lhe endossaram apoio. Na sondagem da Pitagórica, Seguro começou a campanha com 16,3% e acabou com 25,1%. O resultado foi ainda melhor, o que demonstra uma tendência de crescimento verificada sobretudo na campanha de rua, onde não entraram polémicas nem ataques acirrados a jornalistas ou adversários.
Já André Ventura também saiu premiado com a postura de maior moderação e, após a vitória, assumiu-se como o novo líder da Direita. "Conseguimos derrotar o candidato do montenegrismo", sustentou. "Agora falta o socialismo", completou. De facto, Ventura foi o mais votado de uma Direita que conseguiu mais votos do que a Esquerda (sem incluir Gouveia e Melo). Porém, apresentou-se mais dividida do que nunca e por isso o vencedor da primeira volta é do centro-esquerda.
Foto: Rita Chantre
PSD e IL não apoiam
Em parte, essa divisão é da responsabilidade de João Cotrim Figueiredo. O liberal ganhou terreno na campanha, mas acabou afogado em polémicas, como a do possível apoio a Ventura, a acusação de assédio e o abraço a Pedro Pinto. Conclusão: o frenesi teve impacto eleitoral e Cotrim ficou distante. "Não tenciono endossar ou recomendar o voto em qualquer dos candidatos na segunda volta. Os eleitores que me confiaram o voto hoje fizeram-no livremente e deverão poder fazê-lo livremente outra vez na segunda volta", disse, no final, num discurso em que culpou Montenegro pela presença de Ventura e Seguro na segunda volta: "Tal fica a dever-se exclusivamente a um erro da liderança estratégica do PSD. Luís Montenegro não pôs o interesse do país à frente do partido".
Foto: António Pedro Santos / Lusa
Gouveia e Melo, que a um ano das eleições ainda tinha sondagens a dar-lhe 35%, foi-se esvaziando à medida que definiu mais o seu pensamento político. Para já, não apoia ninguém: "Eu não disse que não ia tomar posição, eu só disse que era prematuro". Também não respondeu o que fará com o seu movimento.
Foto: José Sena Goulão / Lusa
Por fim, Luís Marques Mendes, que poucos imaginariam há um ano que ficaria em quinto, confirmou os valores que lhe apontavam as sondagens recentes. É o principal derrotado da noite, não só pelo quinto lugar, mas também por ter atingido o recorde negativo de pior resultado de sempre de um candidato apoiado pelo Governo. Até agora, o pior tinha sido Mário Soares, em 2006, com 14,35%.
Foto: Miguel A. lopes / Lusa
Quem também acaba derrotado é Luís Montenegro. O primeiro-ministro vê o candidato apoiado pelos partidos que sustentam o Executivo a ficar em quinto lugar, num cenário em que os principais adversários passam à segunda volta. Por isso, não consegue decidir se apoia o candidato que defende "três Salazares" ou o apoiado pelo PS: "O espaço político do PSD não estará representado na segunda volta".
Os restantes ficaram na insignificância. Catarina Martins ficou em sexto lugar e António Filipe em sétimo. Manuel João Vieira ficou à frente de Jorge Pinto e André Pestana à frente de Humberto Correia.

