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"Leiam isto". Alec Baldwin rejeita insegurança na rodagem do filme

"Leiam isto". Alec Baldwin rejeita insegurança na rodagem do filme

O ator Alec Baldwin, que disparou uma arma na rodagem do filme "Rust" e matou a diretora de fotografia Halyna Hutchins, contraria insinuações de que a rodagem não cumpria normas de segurança.

Numa nota publicada nas redes sociais, a figurinista Terese Magpale Davis negou que os funcionários que trabalham nas rodagens estão "sobrecarregados de trabalho e cercados por condições inseguras e caóticas", garantindo que a teoria é falsa.

A nota foi partilhada também no Instagram por Baldwin, que apelou aos seus seguidores que a lessem com um lacónico "Leiam isto".

Segundo a figurinista, a equipa tinha "várias reuniões de segurança, às vezes várias por dia" e que "as preocupações foram ouvidas e tratadas", assegurou, acrescentando que disparos acidentais são "mais comuns do que se pensa".

Davis defendeu ainda a especialista em armas do filme, Hannah Gutierrez Reed, que entregou a arma ao diretor assistente David Halls antes de a entregar a Baldwin. "A armeira foi aprendiz de um prestigiado armeiro e esteve na mesma posição no mesmo tipo de filme alguns meses antes", escreveu. "Era a pessoa mais experiente? Não. As qualificações eram típicas de uma Categoria Um? Sim."

As Categorias mostram qual é o orçamento de um filme, indicando também os salários pagos. A Categoria Um é a faixa mais baixa e geralmente significa que um filme tem um orçamento abaixo de seis milhões de dólares (equivalente a 5,2 milhões de euros).

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"Como é que alguém terá essa experiência? Todos nós tivemos um primeiro e um segundo emprego. O nosso diretor assistente nunca pareceu irreverente sobre segurança... Não vou entrar no movimento e fingir que foi indiferente à nossa segurança o tempo todo", rematou.

Trabalhadores queixam-se de falta de segurança e de profissionalismo

Estas declarações contradizem as vozes críticas que levantaram, após o incidente, contra a falta de prudência durante a rodagem deste filme. Outros membros da equipa reprovaram as medidas de segurança, como o eletricista Serge Svetnoy, que justificou a tragédia com a "negligência e a falta de profissionalismo" da produção.

Também se soube que, antes do acidente fatal, alguns elementos da equipa saíram do recinto da rodagem numa disputa sobre acomodação e horários.

O acidente ocorreu enquanto estavam a ser filmadas várias cenas do "western", do qual Alec Baldwin era produtor e protagonista. O ator recebeu uma arma que, ao contrário do que pensava o assistente de realização que a entregou, tinha munições reais.

Ao manusear a arma no cenário, em vez de disparar pólvora seca, Baldwin desferiu um tiro fatal sobre a diretora de fotografia, atingindo-a no peito. A mesma munição feriu no ombro o realizador Joel Souza, que está livre de perigo e já teve alta do hospital.

Baldwin, que se disse "devastado" com a tragédia, apresentou-se voluntariamente à polícia e prestou declarações. A rodagem do filme foi suspensa por tempo indeterminado. Na semana passada, a procuradora encarregada do inquérito disse que acusações criminais contra Alec Baldwin não estão excluídas nesta fase e que "todas as opções estão em cima da mesa".

O ator falou publicamente pela primeira vez na semana passada, seguido por um grupo de paparazzi, garantindo que Halyna Hutchins era sua amiga e que "fala com a polícia todos os dias".

Uma petição online, que pede a proibição de armas de fogo reais em filmagens e melhores condições de trabalho para as equipas envolvidas na produção de filmes, reúne já mais de 104 mil assinaturas.

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