Cantor britânico deu, na noite de quinta-feira, o primeiro concerto para o panteão do Nos Primavera Sound 2019. E pediu desculpa pelo comportamento dos adeptos ingleses na Baixa do Porto
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Jarvis Cocker considera que a linha de evolução humana - aquela que apresenta o homem a erguer-se desde o australopiteco até ao homo sapiens sapiens - está desatualizada. Já devia haver uma nova figura, disse o cantor inglês, porque a evolução da espécie não acabou.
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Também a pop do ex-vocalista dos Pulp, banda olímpica do "brit-pop" dos anos 1990, não parou de evoluir. Temas como "Homewrecker!", "You"re in my eyes" ou "I never said I was deep", todos eles do seu repertório a solo, demonstram a vitalidade da sua arte, que assimila novos elementos - sons orientais, "easy listening", harpas, violinos, saxofone e batidas eletrónicas - num movimento de expansão e enriquecimento da pop.
Quanto à sua figura, apesar de mais algumas brancas, mantém-se igual: óculos que parecem televisões, fato de bombazine, corpo esguio e algo desengonçado, espécie de homem de borracha com os braços e as pernas mal recolhidos, e uma verve imparável, enquanto canta, mas sobretudo entre as músicas, quando aproveita para partilhar as suas inquietações com o público e desferir o seu proverbial "wit".
Queixava-se Jarvis do tempo, que era pior do que o de Sheffield, cidade onde nasceu em 1963. E, nem de propósito, começou a chover a sério, o que provocou uma pequena debandada. Temos pena dos que se foram, porque perderam uma série de eventos memoráveis: Jarvis a distribuir chocolates, a curar fobias do público, a lembrar os Pulp, com o tema "His "n" Hers", do EP "The sisters", e sobretudo a alertar para o facto de que nem sempre evoluímos - trazendo como exemplo o comportamento dos seus compatriotas "hooligans" na Baixa do Porto nos últimos dias. Lamento profundamente, disse o vocalista, "they are a bunch of fucking cunts."
E, ato continuo, interpretou o tema "Cunts are still running the world", com a palavra "evolve" a surgir em fundo e o cantor a apelar às "pessoas boas do mundo" para que se unam. É sempre mais fácil com a música, e é sempre mais fácil com um performer do calibre de Jarvis, que naquele momento faz realmente acreditar que é possível.