Catarina Gouveia relata nova mastite. O que é e porque também acontece anos depois do parto?

Médico senologista explica razões para surgimento de mastites tanto tempo depois do pós-parto. Atriz e empresária Catarina Gouveia trouxe o tema
Instagram/Catarina Gouveia
As mastites não surgem apenas após os primeiros tempos de amamentação. A influenciadora, atriz e empresária Catarina Gouveia revelou que sofreu uma "mastite infecciosa" após as férias e médico explica porque é que estas inflamações da mama podem acontecer anos depois do parto.
A atriz e empresária usou as suas redes sociais para revelar, no início desta semana, que, após regresso de férias no Brasil, teve de ir às urgências hospitalares devido a uma dor no peito. Catarina Gouveia, de 38 anos e mãe há três, revelou que tinha sido diagnosticada com uma "mastite infecciosa". "Só tive uma e foi por culpa da inexperiência mas desta vez, não entendo", explicou nas redes sociais.
Na verdade, esta patologia "é mais frequente no pós-parto e compreendemos bem porque pode acontecer", explica à Delas.pt o médico senologista Fernando Cirugião. Ao detalhe, o especialista avança que tal acontece porque a mama, em tempo de amamentação, "é uma porta que está aberta para infeções e que podem estar associadas a traumatismos de quando o bebé está a mamar, pegas por vezes inadequadas, mau esvaziamento da própria maminha e mudança de horários". "São as pequenos fatores triviais que podem facilitar que aconteça", revela, sobretudo numa fase de adaptação característica do pós-parto.
Mas pode ter lugar anos depois do início da amamentação? Sim, pode. "Quando a amamentação já não é tão regular por já não ser a base da alimentação da criança isso pode acontecer", informa o senologista, explicando que bastará uma "irregularidade num horário para facilitar a acumulação de leite". Ou seja, "a mama continua a produzir leite e, quando se foge das rotinas ou se faz algo diferente, não dar de mamar quando a mama está cheia pode provocar esta situação, sobretudo quando, muitas vezes, a criança já não pede".
Neste tipo de mastites estamos diante da "génese usual deste problema, com leite acumulado, que não foi extraído, e que acaba por infetar". Por outro lado, Fernando Cirurgião lembra que, "por se tratar de uma porta que está aberta", é também um "ponto de entrada das batérias e por diferentes circunstâncias". Seja porque a rotina já introduziu hábitos e rotinas menos exigentes do que no pós-parto, seja porque a criança, já mais crescida, possa "ser portadora de algumas bactérias, estas podem entrar pela 'porta' do mamilo", avança o médico. Situações que não impedem a possibilidade de "ter sido obra do acaso, o que não é raridade". Bastará, como refere o especialista, um "desequilíbrio da flora e microbioma" e pode instalar-se a infecção.
O senologista revela à Delas.pt que "ter mastite no pós-parto fica mais fácil voltar a acontecer mais tarde", embora não seja regra. "Requer cuidados de higienização mais extremos e evitar que a mama fique cheia", afirma. Por outro lado, ter uma segunda mastite, uma vez tratada, não é impetitivo de continuar a dar de mamar, se for esse o desejo da mãe. "A partir do momento em que esteja resolvida, pode perfeitamente regressar à demanda livre", analisa.
E podem existir mastites quando, tanto tempo após ter deixado de amamentar, continuar a haver ainda marcas esporádicas de leite? Fernando Cirurgião tranquiliza, mas faz uma recomendação. "Quando aparece alguma expressão, é algo discreta, mas sem sensação de tensão mamária, é difícil acontecer uma mastite. No entanto, o que se recomenda é que, perante uma gota ou outra que ainda possa surgir no mamilo, não se faça pressão, porque vai estimular a produção. O melhor é deixar passar com o tempo", informa o especialista.

