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Com a chegada de um novo ano, chegam também novos propósitos em termos de exercício físico. Se o regresso não é acompanhado, aumenta o risco de lesões. Fisiologista e médica do Desporto elencam aos problemas físicos mais comuns quando se regressa à prática desportiva.
"A impulsividade no início ou aumento da prática de exercício físico, sem uma preparação adequada, e as condições ambientais, como o frio, que aumentam a vulnerabilidade do sistema musculoesquelético", avisam a especialista em medicina desportiva Andrea Salgueiro e a fisiologista Luísa Mesquita. Se o regresso à prática de exercício físico é de aplaudir, importa também fazê-lo com cuidados para evitar lesões.
Numa época do ano tendencialmente marcada por novos objetivos, as duas especialistas explicam à Delas.pt quais os efeitos mais comuns de um regresso à prática desportiva sem acompanhamento
De entre as mais comuns, destaque para as lesões musculares, que se tornam mais evidentes no inverno. "O frio reduz a elasticidade muscular e articular, aumentando a vulnerabilidade a lesões se o aquecimento for inadequado", avisam as especialistas. Por isso as "distensões e as futuras musculares" e "as cãibras e contraturas" evidenciam-se neste primeiro arranque. A primeira porque "as temperaturas mais baixas tornam os músculos menos flexíveis e mais propensos a lesões durante treinos intensos ou esforço súbito" e as segundas porque estão "associadas à menor elasticidade e circulação mais lenta", justificam.
A estas duas, Andrea Salgueiro e Luísa Mesquita somam as "lesões de sobrecarga". "O esforço acrescido em músculos pouco habituados ao exercício pode resultar em lesões musculares, frequentemente associadas ao início ou reinício da prática de atividade física com intensidades ou frequências elevadas", referem. E avisam: "Mesmo em indivíduos já treinados, o aumento súbito de carga, intensidade ou frequência pode levar a este tipo de lesões, que podem posteriormente conduzir ao sedentarismo por incapacidade de manter uma rotina de treino regular."
Luisa Mesquita, fisiologista do exercício, ciências do desporto, atividade física e saúde [Foto: DR]
Andrea Salgueiro, medicina desportiva, medicina estética, regenerativa e anti-envelhecimento [Foto: DR]
Num segundo nível, as especialistas colocam em evidência as entorses do tornozelo ou joelho e artroses e dores articulares pré-existentes, também elas mais permeáveis ao frio. Condições a que se juntam as "tendinites em ombros, cotovelos, joelhos ou tendão de Aquiles são muitas vezes mais frequentes no inverno, especialmente quando se treina em espaços interiores ou sem aquecimento adequado".
"A maior incidência de lesões nesta fase do ano evidencia a necessidade de encarar o exercício físico como um processo planeado, progressivo e sustentado, e não como uma resposta imediata a resoluções de curto prazo", recomendam a médica e a fisiologista. Ambas pedem, em reposta por escrito à Delas.pt, "uma adoção de um estilo de vida ativo que deve ser enquadrada numa abordagem integrada, baseada na avaliação individual, na definição de programas ajustados e no acompanhamento contínuo, permitindo reduzir o risco de lesão e potenciar os benefícios do exercício na promoção da saúde, do bem-estar, da funcionalidade e da autonomia, com impacto positivo na qualidade de vida ao longo do tempo".
Em Portugal, com uma predominância da prática de papel e futebol, as especialistas identificam alguns padrões de lesão, entre eles os de caráter tendinoso e e musculares. No padel, enumeram, as zonas do corpo mais afetadas são os "cotovelos, tornozelos, joelhos e ombros". Já no futebol, destacam as "lesões no quadríceps, isquiotibiais e entorses no tornozelo, que ocorrem com grande frequência ao longo da temporada, incluindo janeiro".

