Polémica

Caso de bullying sobre criança de dez anos choca futebol infantil em Oeiras

Caso de bullying sobre criança de dez anos choca futebol infantil em Oeiras

António, de apenas 10 anos, depois de ser vítima de insultos de adeptos da equipa adversária, esteve uma semana fechado em casa e só voltou com a ajuda e apoio dos colegas.

É frequente existirem casos de comentários insultuosos a futebolistas nos estádios de futebol. Embora condenável, tornou-se usual no futebol profissional, mas desta vez o episódio ocorreu com uma criança de apenas 10 anos.

António é guarda-redes no Atlético Clube de Porto Salvo, em Oeiras, tem uma pequena paralisia cerebral por ter estado uns minutos sem respirar quando nasceu. Sempre gostou de futebol e começou a praticá-lo na Escola de Futebol Belenenses de Oeiras, mas a alegria pelo desporto foi tapada pela tristeza do bullying. "O António já era mal tratado pelos colegas nessa equipa, o clube sabia disso e nada fazia. Os pais pediram que ele viesse jogar para o Atlético Clube de Porto Salvo e nós recebemo-lo de braços abertos", revelou Lino Manuel Ramos, diretor do clube de Lisboa, ao JN.

No início do mês, o Atlético Clube de Porto Salvo deslocou-se ao campo da Escola de Futebol Belenenses de Oeiras para um jogo. António foi o escolhido para jogar à baliza, mas os adeptos da equipa adversária tinham outro objetivo para além de assistir ao encontro dos filhos. "Começaram a chamar-lhe de gordo, deficiente, 'frangueiro'. Ele ficou desmotivado, saiu do campo com a mãe e foi para casa, a dizer que nunca mais queria jogar futebol".

Depois do jogo, António quis ficar em casa durante uma semana, triste com o que lhe tinha acontecido, revelou Lino Manuel Ramos. Sensibilizados, os colegas fizeram um vídeo a incentivá-lo, para que regressasse e voltasse a jogar futebol, aquilo que mais lhe dá prazer.

"Os pais ficaram sensibilizados e foi pelo vídeo e atitude dos companheiros de equipa que o António voltou ao clube", disse o diretor. No dia em que regressou, foi visível a alegria no rosto da criança, com os colegas a aplaudir o jovem guarda-redes.

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Lino Manuel Ramos explicou que o Atlético Clube de Porto Salvo fez uma exposição do caso à Associação de Futebol de Lisboa e que abordou o diretor da Escola de Futebol Belenenses de Oeiras. "O que ficou combinado com o diretor foi que ele enviasse um e-mail a pedir desculpas pelo caso. Até agora, não recebemos nada", disse.

Contactado um representante da Escola de Futebol Os Belenenses de Oeiras, o clube remete esclarecimentos para um comunicado que será emitido mais tarde.

António tem sido alvo de uma grande onda de solidariedade. O treinador de guarda-redes do Damaiense ofereceu um par de luvas profissionais à criança e uma empresa vai entregar umas caneleiras personalizadas com a cara do jovem.

Em comunicado, o Atlético Clube de Porto Salvo repudiou "quaisquer formas de discriminação, bullying, preconceito racial, social ou por motivo de deficiência". Invoca o lema "todos diferentes, todos iguais" para explicar que acolhe jovens com dificuldades, sejam "financeiras, sociais ou motoras". O clube esclareceu ainda que só teve conhecimento do caso no dia a seguir, "caso contrário teria abandonado o campo do adversário no imediato".

A intenção do Atlético Clube de Porto Salvo é simples. "Queremos alertar esta situação porque pode haver mais casos como o do António pelo país fora". António está agora de volta a fazer o que mais gosta: jogar futebol, na companhia dos colegas e com um sorriso na face.

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