
Alimentos ultraprocessados: quanto mais se come, mais o corpo quer
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JNTAG - A receita é simples. Comida rica em açúcar, gordura e sal, com corantes e aromatizantes, desencadeia uma sensação de prazer no cérebro. A composição e os efeitos alinham-se e o corpo pede mais comida. É dependência, dizem.
Uma fórmula poderosa, irresistível
Quando alimentos ultraprocessados, leia-se com doses generosas de açúcar, gordura e sal, entram na boca, são saboreados e chegam ao estômago, o cérebro não fica quieto. Nada disso. Dentro dele, libertam-se neurotransmissores, como a dopamina (também conhecida como a molécula da recompensa), que criam uma sensação de prazer. Então o cérebro associa esses alimentos a bem-estar, a alegria e energia, a pessoa sente-se bem e agradece. É assim que funciona. E quanto mais se come este tipo de alimentos, mais o corpo quer.
Há, porém, duas questões a refletir. Primeiro, os alimentos processados são feitos para serem rapidamente absorvidos, o que leva a uma rápida libertação de dopamina no cérebro e os torna viciantes. Segundo, há aqui uma fórmula bem pensada para o efeito que se pretende, não haja dúvida. A mistura de açúcar, gordura e sal é das receitas mais poderosas, e irresistíveis também, para estimular as papilas gustativas e o cérebro. E há estudos que indicam que a comida pode ser tão viciante como o álcool, o tabaco e as drogas. Têm algumas características em comum que tornam as suas propriedades organoléticas (sabor, textura, aroma) em sensações boas que, por isso, são viciantes.
Chocolates, a gordura que se derrete na boca
Há toda uma combinação de substâncias químicas, de açúcar e gordura, que explica a razão do chocolate ser um alimento viciante, que não se consegue parar de comer. Os estimulantes, como a cafeína e tiamina que é uma vitamina, proporcionam prazer e energia. No cérebro, já se sabe, aquela sensação de bem-estar que ajuda a melhorar o humor e contribui para a felicidade.
Há ainda a experiência sensorial de comer um chocolate, pela sua textura, pelo seu sabor. A gordura derrete-se na boca, as partículas de cacau revelam-se em todo o seu esplendor, os recetores da língua ficam altamente ativados. O aroma também contribui para esse doce momento.
Batatas fritas de pacote, aquele crocante
Sim, acontece muitas vezes, abrir um pacote de batatas fritas e só parar quando acabar. Quem nunca? Por um lado, é a composição feita de sal, açúcares, aromatizantes e intensificadores de sabor que as fazem apetitosas. Por outro lado, o sabor intenso e a textura crocante são combustível para o cérebro enviar aquela mensagem de sensação de prazer. Tudo junto causa aquele efeito quase inexplicável de não se conseguir parar de comer batatas fritas. Os estímulos são muitos e vêm de vários lados.
Refrigerantes, cocktails de corantes
São feitos à medida, ou seja, formulados para serem saborosos e viciantes através de uma combinação de substâncias químicas capazes de estimular o prazer e a sensação de recompensa que vêm do cérebro. São bombas de corantes e aromatizantes, adoçantes artificiais e cafeína que não dão descanso ao corpo que quer repetir a experiência. Bebe-se e há um pico de prazer. O problema é que quando o vício se instala, o corpo pede mais e mais bebida e mais e mais cafeína, e não se sai disto. O consumo excessivo pode causar mal-estar e irritabilidade.
Ler nas entrelinhas
Se os alimentos que viciam são associados ao prazer e ao bem-estar, é compreensível e natural a procura e o desejo por mais. Além disso, o acesso fácil e a publicidade constante a este tipo de produtos não facilitam a vida, todos sabemos. Só que estes alimentos são, muitas vezes, procurados como refúgio para obter conforto e prazer. Nada mais errado. Tornar o corpo dependente desta comida ultraprocessada (e, por isso, nada saudável) para aliviar o stress, a ansiedade ou o cansaço, não é coisa boa, causa dependência e provoca danos como diabetes, hipertensão, problemas no coração, obesidade, e outras coisas mais. Com a saúde não se brinca. É preciso saber comer com conta, peso e medida.
O que fazer:
• Evitar ter alimentos ultraprocessados e viciantes em casa;
• Ter atenção ao fazer a lista de compras;
• Não usar a comida como fuga e refúgio para controlar o stress e a ansiedade;
• Não aderir a jejuns prolongados porque quanto mais fome sentires, menos resistência aos alimentos terás;
• Comer apenas quando se sente fome e não quando se tem apetite;
• Praticar exercício físico.
