
Recursos naturais são transformados em energias renováveis
Foto: Miguel Pereira da Silva/Lusa
JNTAG - Por um lado, aproveitam-se recursos que a Natureza oferece para consumo humano. Por outro, levantam-se vozes de contestação aos impactos ambientais e sociais. Um assunto, diferentes posições. Como alcançar um equilíbrio?
Sol, vento, água, terra
O que a Natureza estende de mão beijada à humanidade não tem preço. A luz que vem do sol, a força que o vento produz, as dinâmicas das marés e ondas do mar, os metais que brotam da terra. São recursos naturais transformados em energias renováveis aproveitadas para benefício humano que reduzem as emissões de gases de efeito estufa, diminuem a dependência de combustíveis fósseis, combatem as alterações climáticas. Energias apresentadas como limpas, amigas do ambiente, com selo verde, que reduzem a poluição com menos substâncias tóxicas na atmosfera e na água. Energias com benefícios ambientais no combate ao aquecimento global, nas mais-valias económicas na poupança de combustíveis importados, nas vantagens nas áreas de inovação e tecnologia. Se são boas, porquê tanta contestação?
Sophia e as críticas
Sophia é o nome dado a um megaprojeto fotovoltaico, ou melhor, a uma central solar que será implementada no distrito de Castelo Branco, mais concretamente no Fundão, Penamacor e Idanha-a-Nova. Fala-se numa produção que dará para abastecer mais de 370 mil casas por ano com energia solar, poupando o ambiente de 24,5 mil toneladas de dióxido de carbono em 12 meses, fala-se num investimento de 590 milhões de euros, fala-se na entrada em funcionamento em 2030. O projeto foi colocado em consulta pública que terminou a 20 de novembro de 2025 com mais de 10 mil participações.
Sophia está a ser alvo de uma forte contestação por parte de ambientalistas e populações. Várias organizações ambientalistas chamam a atenção para o sacrifício da terra, a saturação do solo agrícola, com a ocupação de vastas áreas de chão fértil essencial à agricultura, bem como para a perda de biodiversidade, para a destruição de habitats e espécies protegidas, para a descaraterização do território, para a desvalorização do turismo de Natureza. Uma situação tensa e conflituosa entre a necessidade de aumentar a produção da energia solar e os impactos ambientais e sociais.
O lítio e as baterias, as minas e os medos
Portugal tem uma das maiores reservas de lítio da Europa, metal fundamental para a indústria de baterias para telemóveis e carros elétricos. Chamam-lhe o "petróleo branco", e não é por acaso, e Portugal está no radar do Mundo, e percebe-se porquê. Depois da constatação, a contestação. A extração de lítio em Boticas, Serra d"Arga ou Covas do Barroso levou a petições, várias queixas e protestos, e uma forte mobilização das populações desses territórios que manifestam preocupações com o ambiente, a saúde e o desenvolvimento sustentável. Contestam a degradação de ecossistemas, a poluição de solos, rios e lençóis freáticos, as consequências da mineração a céu aberto. Várias organizações não-governamentais pediram à Comissão Europeia a revisão da decisão da escolha de pontos estratégicos, em vários pontos da Europa, incluindo Portugal, para minas de lítio e outros minerais a céu aberto.
Há uma pergunta que se impõe: como alcançar o equilíbrio entre o aproveitamento e comercialização de recursos e a proteção ambiental e social? A resposta não será fácil.
O impacto visual e sonoro
As enormes estruturas com as suas hélices sempre a girar para captar o vento, transformando-o em energia eólica, também não escapam a críticas. Aproveitar a força do vento e as suas capacidades como energia renovável é um dado adquirido e confirmado com várias observações e alertas à mistura. Desde logo, pelo impacto visual e sonoro e pela mortalidade de aves e morcegos que colidem com esses equipamentos e alteram rotas migratórias. Pelas perturbações à vida de comunidades locais e possíveis danos em sítios de interesse arqueológico. Pelo ruído e vibração das turbinas que podem afetar a saúde dos que vivem nas redondezas. Pelas mudanças visuais na paisagem. Por tudo isso, pede-se um planeamento mais rigoroso e avaliações ambientais constantes e mais fundamentadas.
