
Rui Mota cresceu em Tomar
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JNTAG - Rui Mota tem 31 anos e cresceu em Tomar, inquieto, curioso e pouco conformado com respostas simples. Hoje é chef, mas em criança já fazia perguntas difíceis. "Sempre questionei tudo. Mesmo quando a resposta era não", recorda. Perguntava porquê, insistia, observava.
Passava horas na cozinha com a avó, atento aos gestos minuciosos e aos preparos. "Quando vinha da escola, fazia sempre o acompanhamento da minha avó", conta. Foi ali que aprendeu o valor do detalhe e do cuidado.
Em criança, Rui não sonhava ser cozinheiro. Queria ser artista visual ou designer. As artes plásticas eram a sua disciplina preferida e o sentido estético manifestava-se cedo. "Sempre fui muito metódico, gostava de ver as coisas visualmente equilibradas." A cozinha surgiria mais tarde, por decisão familiar.
A curiosidade levou-o à química; a adolescência encontrou refúgio no imaginário. O universo de "Harry Potter" acompanhou-o numa fase emocionalmente exigente e regressaria, anos depois, ao seu percurso profissional.
Recentemente, Rui Mota participou no programa internacional "Wizards of Baking", exibido na HBO Max e na Amazon Prime Video. Selecionado entre centenas de milhares de candidatos, foi o único concorrente europeu da edição.
No formato, destacou-se por uma abordagem pouco convencional. "Eles chamavam-me o "cientista maluco"", diz. Não venceu, mas chegou a meio da competição e saiu orgulhoso do trabalho apresentado.
Hoje, Rui não tem restaurante por opção. "Senti-me uma águia dentro de uma gaiola", explica. Prefere a liberdade da criação, do ensino e da experimentação contínua. A curiosidade do miúdo permanece, agora como chef. Ciência, memória e imaginação encontram-se à mesa.


