
O ex-vice-presidente da Câmara de Gaia, Patrocínio Azevedo
Foto: Carlos Carneiro
Os advogados das empresas arguidas na "Operação Babel" acusaram o Ministério Público (MP) de violar a presunção de inocência e de "inventar dezenas de crimes", baseando-se em "meras presunções". Ontem, nas alegações finais do julgamento que decorre do Tribunal de Gaia, acrescentou-se que o MP "inventou uma lei" no caso da perda alargada à sociedade de um dos principais arguidos, para confiscar dez milhões que pertencem a pessoas estranhas ao processo.
Os advogados das dez empresas arguidas no processo que tem como principais acusados o ex-vice-presidente do município de Gaia, Patrocínio Azevedo, um advogado gaiense, João Lopes, e dois empresários, Paulo Malafaia e Elad Dror, entendem que "nada resultou minimamente provado". Referiam-se aos crimes de viciação e violação de normas urbanísticos, corrupção e tráfico de influências pelos quais os arguidos foram acusados, pedindo a "absolvição total" dos seus clientes.
Ponto por ponto, alegaram no sentido de desmontar a "teia", que alguns advogados consideraram de "exercício de adivinhação", supostamente fabricada pelo MP. "Não houve crime nenhum", garantem, socorrendo-se do que pensam ter resultado do produzido em julgamento, incluindo a prova testemunhal que, "claramente demonstra que não houve nenhum favorecimento, nenhum pagamento, em qualquer dos processos imobiliários", nem "qualquer vantagem para Patrocínio Azevedo"
Sobre a "perda alargada" que o MP pediu e que, apenas sobre o empresário Elad Dror, "representa quase 10 milhões de euros", o advogado de uma das suas empresas, acusou o MP de "inventar uma lei que não existe" para tentar "confiscar" quase dez milhões que "comprovadamente" sabe que pertencem a investidores e a privados que compraram frações autónomas dos edifícios em construção.
