Ministério Público pede pena de 8 a 12 anos de prisão para ex-vice-presidente de Gaia

O ex-vice-presidente da Câmara de Gaia, Patrocínio Azevedo
Foto: Carlos Carneiro
O Ministério Publico (MP) pediu, esta terça-feira, penas de cadeia entre os oito e os doze anos para principais arguidos, entre os quais sobressai o ex-vice-presidente da Câmara de Gaia, Patrocínio Azevedo.
Nas alegações que agora terminaram, os procuradores consideram ter ficado provado em julgamento que Patrocinio Azevedo cometeu os crimes de corrupção, recebimento ilícito, prevaricação, branqueamento e participação económica em negócio. Sem apontar penas parcelares, o MP pediu ao coletivo de juízes que condenasse Patrocinio a uma pena entre os oito e os 12 anos.
Pediu ainda que lhe fossem decretados seis anos de inelegibilidade para cargos públicos.
Em relação ao advogado João Lopes - considerado o "elo de ligação corruptiva" entre promotores e Patrocinio Azevedo, o MP alegou que deve ser condenado à mesma pena, tal como os dois promotores imobiliários, Paulo Malafaia e o israelita Elad Dror.
Para o terceiro promotor, Jordi Busquets, um francês que construiu um hotel na escarpa de Gaia, o MP pediu entre os quatro e os cinco anos de prisão, aceitando que possa ser uma pena suspensa.
Quanto a Luisa Aparício, diretora da Divisão do Urbanismo da câmara de Gaia, o MP limitou a sua responsabilidade à obra na escarpa de Gaia, pedindo uma pena de quatro anos e meio, devendo ser suspensa.
Recorde-se que, em causa, estão dezenas de alegados crimes de corrupção.
Os crimes, resultado de uma pretensa viciação de normas e instrução de processos de licenciamento urbanístico em favor de promotores de projetos de elevada densidade e magnitude. Em causa estão interesses imobiliários avaliados em mais de 300 milhões de euros, pretensamente obtidos contra a oferta e aceitação de contrapartidas financeiras e "prendas" (como relógios), de elevado valor.
Todas as penas foram pedidas considerando o cúmulo juridico.
Para as nove empresas arguidas, o MP pediu a sua condenação a penas de multa entre os 450 e os 900 dias, sem, contudo, especificar o valor diário das mesmas.
