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F. C. Porto tinha sala fechada para acesso aos e-mails

F. C. Porto tinha sala fechada para acesso aos e-mails

O coautor do livro "O Polvo Encarnado" garantiu esta manhã, em tribunal, no Porto, que apenas ele e o diretor de informação do F. C. Porto tiveram acesso aos e-mails do Benfica. Diogo Faria explicou que a correspondência eletrónica encarnada estava guardada num computador que não estava ligado à rede e que estava fechado numa sala à qual só ele e Francisco J Marques tinham acesso.

Diogo Faria revelou, no Juízo Central Cível do Porto, que foi contratado pelo F. C. Porto Media a 1 de junho de 2017, numa altura em que as caixas de correio eletrónico de Pedro Guerra, Luís Bernardo e Pedro Valado já tinham chegado às mãos do diretor de informação do F. C. Porto. Aliás, o historiador revelou que foi contratado precisamente para analisar aqueles arquivos, procurando coisas que pudessem indiciar ilegalidades ou atos que prejudicassem o F. C. Porto.

Depois mostrava os e-mails que considerada relevantes a Francisco J Marques e, em conjunto, preparavam a informação que seria partilhada no programa Universo Porto da Bancada.

Diogo Faria confirmou que foi colega de curso de Rui Pinto na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, mas que o suspeito de ter roubado os e-mails do Benfica "nunca pertenceu a um círculo próximo" do seu. "Não o vejo desde 2013. Nunca mantive o contacto. Nunca tive sequer o número de telefone dele, nem ele o meu", afirmou.

O depoimento de Diogo Faria foi interrompido para almoço e será retomado esta sexta-feira à tarde.

No processo em que é autora, a SAD do Benfica corresponsabiliza por concorrência desleal e danos de imagem, no âmbito da divulgação dos e-mails, a homóloga do FC Porto, o presidente da sociedade e do clube, Pinto da Costa, os administradores Fernando Gomes e Adelino Caldeira e o diretor de comunicação, Francisco J. Marques, além da F. C. Porto Media, empresa detentora da estação televisiva Porto Canal.

O Benfica alega que a divulgação dos e-mails afetou a credibilidade do clube, prejudicando os seus interesses comerciais e chegando a provocar a queda de cotação das ações da SAD na bolsa.

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O F. C. Porto alega que se limitou a divulgar informação de interesse público e que as mensagens de correio eletrónico em causa revelam práticas deturpadoras da verdade desportiva.

Numa audiência prévia realizada em 20 de novembro de 2018, em que se fixou o valor da causa, foi também admitida a reconvenção (uma espécie de contra-ação), deduzida pela ré, pedindo uma indemnização cujo valor não foi divulgado.

A 11 de janeiro deste ano, foi anunciado que Benfica e F. C. Porto falharam, em audiência preliminar, um acordo que permitiria evitar o julgamento, que prossegue na tarde de hoje.

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