Crime

O que sabemos sobre o caso do rapper Mota Jr desde o plano ao homicídio

O que sabemos sobre o caso do rapper Mota Jr desde o plano ao homicídio

Mota Jr foi encontrado morto dois meses depois de ter desaparecido, à porta de casa, no Cacém, em Sintra. O plano era roubá-lo e torturá-lo caso resistisse.

Foi na madrugada de 15 de março que David Mota, 28 anos, conhecido no mundo do Rap por Mota Jr, foi violentamente sequestrado à porta de casa, em São Marcos, Agualva-Cacém. À primeira hora desse domingo, recebeu um telefonema de uma amiga a pedir-lhe que descesse à entrada do prédio, onde, sabe o JN, foi surpreendido por pelo menos dois homens armados, presumíveis autores dos crimes. Reagiu e acabou esfaqueado. Na manhã seguinte, o sangue pelo chão fazia adivinhar o desfecho que mais tarde se viria a confirmar. Do jovem, não havia sinal. Tinha sido levado para Sesimbra numa carrinha, sabe-se agora. Nessa mesma noite, a casa de Mota Jr foi assaltada e o ouro que tinha guardado, no valor de dois mil euros, desapareceu.

Passaram-se dois meses sem haver desenvolvimentos sobre o desaparecimento do rapper do Cacém que cantava em crioulo, até que, na segunda-feira à noite (18 de maio), a notícia chegou: o corpo de David foi encontrado em elevado estado de decomposição e com a roupa do dia em que desapareceu num mato perto da vila de Sesimbra. O cadáver foi encontrado por um popular, que alertou as autoridades, e transportado para o Instituto de Medicina Legal, que deverá confirmar formalmente a identidade da vítima.

Suspeito fugiu do país

De acordo com a Unidade Nacional de Combate ao Terrorismo da PJ, que está a cargo do caso e certa de que Mota Jr foi vítima de homicídio, o plano para raptar o rapper e despojá-lo de joias e dinheiro - bens que ostentava massivamente nos videoclipes e nas redes sociais - incluía torturas durante dois dias, em caso de resistência. O rapto terá sido planeado por um só indivíduo, que contactou outros dois para o ajudarem. O mentor, referenciado por assaltos violentos, estará já identificado, mas saiu do país antes da declaração do estado de emergência.

Embora ainda não sejam conhecidos detidos, a PJ apanhou o rasto ao ouro roubado, determinando onde foi vendido e identificando o vendedor, que já foi ouvido.

Embora muito rica de outras histórias dentro - as dos homens e mulheres que emergiram da pobreza e tragédia dos bairros para escreverem e fazerem música sobre os dramas por que passaram - a história do hip hop, e sobretudo do rap, tem um lado mau que às vezes engole o bom. Está manchada por um sem fim de crimes violentos e homicídios - desde as décadas de 80 e 90 até agora, foram dezenas os rappers, sobretudo nos EUA, que morreram assassinados. A lista inclui grandes lendas como Tupac Shakur (abatido em 1996), The Notorious B.I.G (1997) e Proof (2006).

Ajustes de contas, tiroteios com a polícia ou assaltos, ceifaram, em 2018, as vidas de XXXTentacion (baleado em Miami quando comprava uma mota) e Jimmy Wopo (alvejado durante um confronto um conflito num bairro nova-iorquino). No ano seguinte, morreram Nipsey Hussle (nomeado para um Grammy com o álbum de 2018 "Victory lap"), Kevin Fret (porto-riquenho que assumiu a bandeira LGBT no contexto do trap latino), Nina Ross Da Boss (cantora de 31 anos e mãe de seis filhos), Willie Bo (atingido por 25 disparos da polícia) e Lil John (rapper filipino famoso pelas "battles").

Pop Smoke

O rapper Pop Smoke, 20 anos, foi morto em fevereiro deste ano, num aparente assalto à casa onde se encontrava, em Hollywood, Los Angeles. Dois homens de cara tapada com máscaras entraram na residência e dispararam contra o jovem à queima-roupa. O rapper tinha concerto marcado para Portugal, no festival Rolling Loud, em Portimão, em julho.