Autópsia

Pancadas na cabeça fatais para Jéssica

Pancadas na cabeça fatais para Jéssica

Jéssica, a menina de três anos morta em Setúbal, foi espancada dezenas de vezes ao longo da semana em que esteve em cativeiro na casa de Cristina "Tita", para forçar a mãe a pagar uma dívida relacionada com "bruxarias". O relatório final da autópsia ainda não está concluído, mas os resultados preliminares que levaram à detenção dos três suspeitos, apontam, por exemplo, para o descolamento do crânio, provocado por pancadas fortes na cabeça, que terão sido fatais.

O relatório final, que está a ser realizado no Instituto Nacional de Medicina Legal, deverá esclarecer ainda as dúvidas sobre eventuais agressões sexuais e administração de sedativos para calar a menina. Os suspeitos do homicídio detidos pela Polícia Judiciária (PJ) - Cristina "Tita", o marido, Justo, e a filha, Esmeralda - estão em prisão preventiva desde sábado. Foram detidos quando já tentavam fugir do país.

Está também por comprovar se as lesões que Jéssica apresentava seriam inevitavelmente fatais ou se ela poderia ter sido salva caso a mãe a tivesse levado para o hospital em vez de a levar para casa, onde morreu seis horas depois.

Segundo informações recolhidas pelo JN, as lesões que a menina apresentava na zona genital aparentam ser exteriores, o que faz supor que foi agredida daquela forma para aumentar o seu sofrimento, algo que apenas os exames complementares vão esclarecer. No mesmo sentido, análises ao sangue vão revelar se ela tomou Atarax, um medicamento com efeito calmante. Esta versão foi avançada à PJ pela mãe da menina, Inês Marinita, no dia em que Jéssica morreu em casa depois de uma semana de tortura pelos seus raptores "Tita", o marido Justo e a filha Esmeralda.

Inês encontra-se refugiada em casa de familiares, cuja localização não é conhecida para a proteger da fúria dos populares. A mãe de Jéssica teve de sair da casa da sua mãe porque estava a receber ameaças de morte, por não ter denunciado o rapto da menina às autoridades e não ter ido com ela ao hospital quando a recebeu moribunda das mãos dos suspeitos, na segunda-feira, dia 20.

Jéssica morreu por causa de dezenas de agressões atribuídas aos suspeitos que pretendiam forçar Inês, a pagar uma dívida de 800 euros por um ato de bruxaria. Foi raptada na terça-feira, dia 14, quando Cristina convenceu a mãe a levar a menina a sua casa para brincar com a sua neta enquanto falavam da dívida.

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Durante toda a semana, entre 14 e 20 de julho, Inês recebeu ameaças de morte por sms para saldar a dívida e não denunciar o rapto da filha às autoridades. Durante essa semana, Inês contou ao companheiro e à mãe que a filha estava numa colónia de férias. Disse depois que era perseguida pelos suspeitos na baixa setubalense, supostamente para se certificarem de que estava a arranjar forma de pagar a dívida. Nesse período, Inês terá sido vista em bares de karaoke e em festas populares.

Sem meios para pagar as dívidas, Inês foi buscar a menina a casa dos raptores. Mais tarde contou que não se dirigiu ao hospital porque foi ameaçada de morte se o fizesse. Aos inspetores da PJ, na quarta- feira, quando os suspeitos foram detidos, terá mostrado as mensagens ameaçadoras. "Se fores à polícia ou ao hospital matamos-te a ti e à tua família", diziam.

Cristina "Tita", Justo e a filha Esmeralda estão indiciados por crimes de homicídio qualificado, extorsão, ofensas físicas graves e coação.

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