Matosinhos

Pais contra contentores na escola para acolher alunos de escola privada

Pais contra contentores na escola para acolher alunos de escola privada

Dezenas de pais de alunos da Escola Básica do Godinho, em Matosinhos, protestaram, este sábado de manhã, contra a instalação de contentores no espaço do recreio para acolher alunos da escola privada, Scholé, que se situa em frente. Em causa está a falta de licenciamento da Scholé para dar aulas aos alunos do primeiro ciclo já inscritos.

A instalação dos contentores no recreio Escola Básica do Godinho, em Matosinhos, estava prevista para este sábado de manhã e os pais dos alunos só foram informados na sexta-feira. Indignados e revoltados, cerca de 40 pais estavam desde as 7 horas em frente à escola para impedir a entrada dos contentores, tendo fechado os portões a cadeado.

António Correia Pinto, vereador da Educação e do Ambiente da Câmara de Matosinhos, explicou que "esta necessidade [de instalar contentores na escola do Godinho] resultou do facto de a Scholé ter apresentado junto da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE) um pedido de licenciamento para a oferta de primeiro ciclo nas suas instalações e esse processo, depois de ter sido analisado pelos serviços, ter sido rejeitado".

"Ao ser rejeitado, estas 42 crianças [que já estavam inscritas na Scholé] ficaram sem estabelecimento de ensino e tinha de haver uma solução. Foram chamadas a inscrever-se nos agrupamentos de escolas e passou a haver duas hipóteses: ou se encontrava uma solução para que estas crianças fossem acomodadas pela Scholé e continuassem a funcionar segundo a metodologia de trabalho que eles desenvolvem, ou então a outra alternativa era serem espalhados pelas turmas do agrupamento, aumentando o número de alunos e criando dificuldades também ao funcionamento dessas turmas, ao trabalho dos professores e, consequentemente, desses mesmos alunos, que vêm de um método de aprendizagem que não é exatamente o mesmo. Tínhamos que decidir sobre uma destas soluções", explicou no local António Correia Pinto.

A montagem de contentores no recreio da Escola do Godinho foi proposta unicamente para este ano letivo, dada a proximidade de ambas as escolas. Durante esse período, a Scholé teria de procurar novas instalações que lhe permitissem dar aulas ao primeiro ciclo.

Os pais dos alunos da escola pública contestaram a decisão por considerarem que as suas preocupações não foram ouvidas. Afirmam que a escola é pequena e reclamam obras de requalificação há vários anos. Segundo explicaram ao JN, não concordam com a instalação dos pré-fabricados. Dizem que, como os alunos do ensino público e do ensino privado têm horários diferentes - quando uns brincam estão os outros em aulas - isso iria prejudicar a concentração de todos.

Pelas 9.30 horas, quando os pais se preparavam já para fazer um cordão humano e impedir a entrada das estruturas, o vereador anunciou que a instalação dos contentores estava suspensa e que a Câmara não vai tomar nenhuma decisão antes de reunir com os pais. Nesse sentido, a Autarquia convocou uma reunião para a próxima terça-feira entre a DGEstE e a associação de pais da Escola Básica do Godinho, com cerca de 200 crianças, para analisar a melhor solução para os 42 alunos da Scholé.

Scholé lamenta

Por sua vez, e através de comunicado, a Scholé explica que apesar de o projeto educativo já ter sido reconhecido pela DGEstE e pela Secretaria de Estado da Educação, foi emitido um parecer desfavorável às instalações já existentes da escola para a valência do primeiro ciclo do ensino básico. Pode ler-se ainda, no mesmo documento, que a Câmara de Matosinhos sempre apoiou o processo e quis contribuir para uma solução. Foi assinado um protocolo de cedência temporária (e não renovável) a 27 de setembro que permitia a instalação de um monobloco de 90 m2 e que dispõe de instalações sanitárias próprias.

"O protocolo prevê que todas as despesas de transporte, instalação, manutenção e desmontagem do equipamento sejam asseguradas pela Scholé, bem como as despesas correntes de água e eletricidade", assegura a escola.

Já no final do documento, a escola diz lamentar "as proporções e os contornos que todo este processo de licenciamento acabou por assumir, bem como todos os incómodos causados à comunidade".

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