Troca de acusações

Ameaça de armas químicas e biológicas opõe EUA e Rússia

Ameaça de armas químicas e biológicas opõe EUA e Rússia

A Rússia acusou os Estados Unidos da América de terem laboratórios de guerra biológica e química na Ucrânia. Os norte-americanos refutam e avançam que os russos estarão a equacionar usar esse tipo de armas no conflito.

Os russos garantem que encontraram documentos que confirmam pesquisas com armas químicas na Ucrânia financiadas pelo Pentágono. "Podemos concluir que elementos de armas biológicas estavam a ser desenvolvidos em laboratórios perto das nossas fronteiras", acusou Maria Zakharova, porta-voz do Kremlin.

Porém, antes da invasão russa de 24 de fevereiro, "para não revelar os materiais e os programas que estavam a ser feitos naqueles locais", o ministro da Saúde ucraniano terá ordenado a destruição urgente de produtos que incluiriam patógenos mortais como a peste, cólera e o antraz, acusa a mesma fonte,

"Propaganda absurda"

O governo norte-americano rejeitou em absoluto as acusações russas. "Propaganda absurda" e uma tentativa de encontrar retroativamente pretextos para a guerra, classificou a Casa Branca. Também a União Europeia mostrou dúvidas sobre a credibilidade das acusações russas, lembrando que Moscovo tinha uma história de espalhar desinformação sobre armas biológicas.

A assessora de imprensa da Casa Branca frisou que, face a estas acusações, "devemos todos estar atentos à possibilidade da Rússia poder usar armas químicas e biológicas na Ucrânia ou de criar uma 'operação de bandeira falsa' com ela". Ou seja, simular um ataque com armas químicas por parte da Ucrânia.

Moscovo é que tem "historial" de uso de armas químicas

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Moscovo que tem um longo e bem documentado historial de utilização de armas químicas", afirmou Jen Psaki, realçando as "tentativas de assassinato e envenenamento" de inimigos políticos de Putin, como Alexei Navalny, líder da oposição russa.

Também o porta-voz de assuntos internacionais da União Europeia afastou as acusações russas. "A credibilidade da informação fornecida pelo Kremliln é geralmente duvidosa e muito baixa", afirmou Peter Stano. "A desinformação russa tem historial de promover manipulação de narrativas acerca de armas biológicas e alegados laboratórios secretos", acrescentou.

Evitar que russos tomem conta dos laboratórios

Uma subsecretária de Estado norte-americana confirmou perante o Congresso que a Ucrânia tem instalações de pesquisa biológica e que "estava deveras preocupada com a possibilidade de que as tropas russas estivessem a tentar ganhar controlo sobre esses laboratórios".

"Estamos a trabalhar com os ucranianos sobre o modo como poderão prevenir que alguns desses materiais de pesquisa caiam nas mãos das forças russas", acrescentou Victoria Nuland.

Converter laboratórios militares para saúde pública

Um antigo governante norte-americano conhecedor das colaborações entre Kiev e Washington explicou à agência Reuters que os Estados Unidos têm ajudado a converter vários laboratórios ucranianos ligados ao programa de armas biológicas da antiga União Soviética em instalações dedicadas à saúde pública.

Estes antigos laboratórios têm recebido suporte dos Estados Unidos, União Europeia e Organização Mundial de Saúde. Também o Programa de Redução de Ameaça Biológica do Pentágono tem vindo a trabalhar com o governo ucraniano para garantir a segurança de patógenos e toxinas armazenados nos laboratórios.

China acusa EUA de ter 26 laboratórios na Ucrânia

O ministério dos Negócios Estrangeiros chinês afirmou esta semana que os Estados Unidos da América possuem 336 laboratórios em 30 países, incluindo 26 apenas na Ucrânia. Através de uma publicação no Twitter, o organismo instou os EUA a "divulgar exatamente todas as suas atividades biológicas militares no seu território e no exterior e sujeitar-se a uma verificação multilateral".

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