França

Ao segundo round, Macron reedita vitória sobre Le Pen

Ao segundo round, Macron reedita vitória sobre Le Pen

Ao segundo embate eleitoral, Emmanuel Macron repete a vitória sobre Marine Le Pen e renova o mandato presidencial, com mais de 58% dos votos, contra os 41,2% alcançados pela líder da União Nacional.

A margem dilatada, revelada nas primeiras projeções, atirou por terra as aspirações da candidata da extrema-direita, que pela terceira vez tentou chegar ao Eliseu. Macron, que em 2017, aos 39 anos, irrompeu na cena política francesa, é o primeiro presidente francês a segurar a reeleição depois de Jacques Chirac, em 2002. Fica, ainda assim, aquém dos 66,10% conquistados há cinco anos e com menos quatro milhões de votos. A abstenção, a mais elevada desde 1962, fixou-se nos 28,2%, acima dos 25,4% registados em 2017.

Concentrados em Champ-de-Mars, frente à Torre Eiffel, milhares de apoiantes de Macron reagiram às primeiras projeções entre bandeiras francesas e da União Europeia, e na entoação coletiva e uníssona da "Marselhesa".

"Uma vitória retumbante". Assim definiu Marine Le Pen, no pavilhão d"Armenonville, o resultado alcançado no escrutínio, poucos minutos depois de conhecidos os quase 42% de votos alcançados (mais dois milhões que em 2017), numa subida expressiva do partido que lidera, face aos 33,9% conquistados há cinco anos.

"Os franceses demonstraram esta noite o desejo de um forte contrapoder ao de Emmanuel Macron", atirou Le Pen, num discurso de derrota já a apontar às legislativas de junho e durante o qual prometeu "uma oposição que continuará a defendê-los [aos franceses] e a protegê-los face à erosão do seu poder de compra, face aos ataques às liberdades, face à redução da idade da reforma prometida por Macron, face à insegurança, à imigração anárquica e ao laxismo judicial".

Uma súmula das bandeiras eleitorais repetidas à náusea pela candidata durante aquela que foi descrita como uma campanha de proximidade.

Bloqueio à extrema-direita

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Pelas 21.40 horas, Macron chega ao Champ-de-Mars para se dirigir aos apoiantes, num discurso de vitória em que começa por assinalar os anos conturbados do primeiro mandato, atravessados pela revolta dos "coletes amarelos" e a pandemia, que direcionou contra o mais jovem presidente francês de sempre a ira dos que rejeitavam a vacinação e que viram como ameaçadas as suas liberdades individuais: "Após cinco anos de transformação, de tempos felizes e difíceis, de crises excecionais também. Neste dia, 24 de abril de 2022, a maioria de nós decidiu confiar em mim para presidir à nossa República durante os próximos cinco anos".

Macron assumiria ainda que muitos dos que nele votaram fizeram-no sobretudo para travar a ascensão da extrema-direita, que conhece agora expressão mais evidente. "Também sei que muitos dos nossos compatriotas votaram em mim hoje [ontem], não para apoiar as ideias que levo, mas para bloquear a extrema-direita. E quero dizer-lhes aqui que estou consciente de que este voto me obriga para os anos vindouros. Sou o guardião do seu sentido do dever, da sua ligação à República e do respeito pelas diferenças que foram expressas nas últimas semanas".

Num discurso curto e distante da euforia de 2017, aquele que se mantém ao comando da segunda maior economia europeia garantiu que será o presidente de todos os franceses. "A partir deste momento, já não sou o candidato de um campo, sou o presidente de todos. Sei que para muitos dos nossos compatriotas que hoje [ontem] escolheram a extrema-direita, a raiva e o desacordo que os levaram a votar pela extrema-direita deve encontrar uma resposta. É essa a minha responsabilidade".

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