
Um avião da Força Aérea do Brasil durante uma pausa para reabastecer, na ilha de Fernando Noronha
A Força Aérea Brasileira confirmou que encontrou uma poltrona de avião e uma bóia que podem ser do Airbus A330 desaparecido, segunda-feira, no Atlântico. O primeiro-ministro francês diz que "nenhuma pista está a ser privilegiada".
O Comando da Aeronáutica informou que foram avistados, esta manhã, a 650 quilómetros a Nordeste do arquipélago Fernando de Noronha, materiais metálicos e não metálicos que podem ser os destroços do Airbus A-330 da Air France.
Uma das aeronaves que participa nas buscas - Hércules C130 - avistou no mar, às 05:25 horas locais (9:25 horas de Lisboa), uma poltrona de avião, pequenos pedaços brancos (não identificados), uma bóia laranja e um tambor, além de vestígios de combustível e óleo.
Cautelosa, a Força Aérea Brasileira sublinha que não pode ainda confirmar que são os destroços do avião desaparecido. Antes, a informação tinha sido já avançada por um rádio amador, dizendo ter escutado uma comunicação entre aviões que participam nas buscas do aparelho da Air France.
O rádio amador brasileiro disse ter interceptado uma comunicação entre os aviões brasileiros que procedem às buscas, dizendo que tinham sido localizados possíveis destroços de um avião, perto das Ilhas de S. Paulo e S. Pedro, cerca de 170 quilómetros a nordeste do local da última comunicação do aparelho, junto do arquipélago de Fernando de Noronha.
Terceira suspeita
Foi a terceira suspeita de avistamento de destroços. A primeira, avançada ainda segunda-feira, por pilotos da TAM, que fizeram a mesma rota do voo 447 pouco depois, disseram ter avistado "pontos laranjas" que pareciam chamas a cerca de 1300 quilómetros da ilha de Fernando de Noronha, onde o rasto do Airbus desapareceu dos radares.
Segundo a edição online da Folha de São Paulo, o navio mercante francês "Douce France" foi atrás da pista dos pilotos da TAM, mas não encontrou destroços do Airbus. A Força Aérea Brasileira também não terá encontrado nada de relevanta na pista da TAM.
O governo do Senegal anunciou, esta manhã, que localizou nas suas águas territoriais destroços de um avião, que podem ser do Airbus A330 que desapareceu segunda-feira sobre o Atlântico, avança a edição online do jornal O Globo. Uma informação que não chegou a ser confirmada.
Paris diz que nenhuma pista está a ser privilegiada
"Nenhuma pista está a ser privilegiada", disse o primeiro-ministro francês, Francois Fillon, em audiência no parlamento francês.
"A nossa única certeza é que não houve qualquer pedido de ajuda enviado pelo avião, apenas alertas automáticos regulares durante três minutos indicar a falha de todos os sistemas", acrescentou
Segundo Fillon, outro dos três aviões de buscas foi mobilizado. Um AWACS, avião de radar, "vai descolar a qualquer instante", disse o primeiro-ministro francês.
Com este AWACS, passam a ser três os aviões franceses nas buscas, intensificadas, esta manhã, com a ajuda de vários países. Os outros dois aviões de reconhecimento franceses estavam estacionados em Dakar, no Senegal, e retomaram, esta manhã, as operações interrompidas durante a noite.
Brasil mobilizou seis aviões
No total, o Brasil mobilizou seis aviões, destes, dois equipadas com radar de infravermelhos, dois helicópteros e três navios que patrulham a zona onde o Airbus desapareceu, a cerca de 1.100 quilómetros da cidade de Natal, na costa nordeste do Brasil, e a 100 quilómetros do início do espaço aéreo do Senegal, segundo as autoridades brasileiras.
As possibilidades de encontrar sobreviventes "são ínfimas", como admitiu na segunda-feira o presidente francês, Nicolas Sarkozy, no aeroporto de Roissy, em Paris, onde também sublinhou não existir "nenhum elemento preciso sobre o que se passou".
No momento do seu desaparecimento, o avião tinha entrado numa zona de tempestade com fortes perturbações, onde se encontram massas de ar dos hemisférios norte e sul.
As pessoas a bordo pertenciam a 32 nacionalidades, contando-se nomeadamente 72 franceses, 59 brasileiros e 26 alemães, segundo o Ministério dos Transportes francês.
O Presidente brasileiro, Lula da Silva, em visita a El Salvador, declarou segunda-feira que "não há nada a fazer, senão chorar profundamente e apoiar as famílias" das vítimas.
"Em momentos como este, não há palavras", declarou Lula da Silva a jornalistas em São Salvador, onde se deslocou para assistir à cerimónia de posse do novo Presidente salvadorenho, Maurício Funes.
