
O presidente de transição da República Centro Africana, Michel Djotodia, e o seu primeiro-ministro, Nicolas Tiangaye, apresentaram a demissão.
Os dirigentes da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC) "tomaram nota da demissão" do presidente e do primeiro-ministro, indica o comunicado final da cimeira extraordinária da África Central em N'Djamena.
Em N'Djamenta encontram-se os líderes regionais e todos os 135 deputados da República Centro Africana (RCA), que se deslocaram de Bangui na quinta-feira a pedido dos líderes africanos para elaborarem uma proposta sobre o futuro de Michel Djotodia.
Entretanto, em Bangui, capital da RCA, milhares de populares foram para a rua exigir a saída do presidente de transição, acusado pela comunidade internacional de não conseguir pôr fim à violência que grassa desde 5 de dezembro.
"Queremos que Djotodia se afaste. Precisamos de uma nova pessoa para liderar o país", disse um manifestante, enquanto outro disse que o presidente devia "ficar em N'Djamena" por ser responsável "por um massacre".
Michel Djotodia foi convocado para a cimeira especial e confrontado com a sua incapacidade para lidar com a violência entre muçulmanos e cristãos sem precedentes, que, segundo a Federação Internacional dos Direitos Humanos, fez mais de mil mortos no mês passado.
Com 4,5 milhões de habitantes, a República Centro-Africana, um país pobre, mas rico em recursos, mergulhou no caos desde o golpe de Estado de março passado, organizado pela coligação rebelde Séléka, que afastou do poder o Presidente François Bozizé e declarou Michel Djotodia como novo Presidente do país.
A 5 de dezembro, as milícias de autodefesa cristãs, denominadas como 'anti-balaka' e que até então atuavam sobretudo no Oeste do país, lançaram uma ofensiva na capital, Bangui, contra posições da Séléka e em bairros muçulmanos. O ataque provocou represálias dos ex-rebeldes contra a população maioritariamente cristã de Bangui.
Um total de 1600 soldados franceses e cerca de 4000 soldados africanos estão a tentar restabelecer a ordem e restaurar a segurança na antiga colónia francesa.
