
Portugueses estão retidos num navio no porto do Dubai
Foto: Fadel Senna/AFP
Maria Gama viajou com o marido até ao Dubai para festejar os 50 anos de casada. Integra um grupo de 29 portugueses que está no cruzeiro MSC Euribia, retido no porto da cidade há dois dias.
"Estamos à espera que o espaço aéreo do Dubai reabra para irmos embora", a mensagem é repetida por Maria Gama, de 77 anos, apanhada "no meio do furacão".
"Está a ouvir? Agora está a passar mais um avião, mas voam muito alto e mal os vemos", descreve durante uma conversa telefónica, onde revela que a maior apreensão é saber quando pode regressar a casa.
A professora reformada, natural de Coimbra, viajou para o Dubai a 28 de fevereiro, de onde seguiria num cruzeiro até o Catar, Bahrein e Abu Dhabi, mas o navio onde entrou não chegou a sair do porto do Dubai depois do ataque norte-americano ao Irão, no sábado.
"A tripulação vai-nos dando conta de que está em contacto com as embaixadas para que possamos regressar a casa rapidamente". Dentro do barco, a vida prossegue como se estivesse em navegação, os turistas vão à piscina, aos espetáculos, aos centros comerciais. "Aqui, não se ouve nada, não se ouvem bombas, não sei se na cidade será diferente".
Confiante na capacidade de interceção de mísseis dos Emirados Árabes Unidos, explica que a "angústia permanente" é explicada pelo facto de não saber quando pode regressar. "O meu grupo é de pessoas mais velhas, trouxemos medicação para estes dias, mas agora, não sabemos quando podemos voltar. O meu voo estava previsto para o dia 7, mas não sei se vai acontecer".
Os elementos do grupo de Maria são apenas alguns dos portugueses que estão retidos no barco desde sábado. "O nosso voo vinha cheio de portugueses, alguns estão aqui, outros podem estar já no aeroporto, mas lá a situação deve ser bem mais complicada".
À distância, é a família quem mais a preocupa "os meus filhos estão angustiados, mais que eu, conversamos pelo WhatsApp, mas nós aqui estamos bem, só não sabemos é quando podemos sair".

