EUA

O funeral de George Floyd, cuja morte inspirou protestos globais contra o racismo

O funeral de George Floyd, cuja morte inspirou protestos globais contra o racismo

O funeral do afro-americano George Floyd iniciou-se em Houston, no Estado do Texas, duas semanas após a sua morte por asfixia por um polícia branco, cuja morte violenta desencadeou protestos nos Estados Unidos e também à escala global.

"É hora de celebrar a sua vida", afirmou a pastora Mia Wright, na lotada igreja Fountain of Praise, onde familiares e amigos se abraçaram pela primeira vez diante do caixão aberto.

Centenas de pessoas lotaram a igreja, coroando seis dias de luto pela morte de Floyd, de 46 anos, que vai ser enterrado junto da sua mãe.

A cerimónia foi reservada a 500 convidados, entre eles parentes, personalidades como o ator Jamie Foxx ou o pugilista Floyd Mayweather, todos solicitados a usar máscaras.

"Queremos que a família saiba que não está sozinha", afirmou o congressista democrata Al Green à chegada ao local, na esperança de que o movimento de raiva gerado pelas manifestações tenha um "impacto duradouro".

Enquanto o serviço era privado, pelo menos 50 pessoas juntaram-se fora da igreja para prestar homenagem, alguns segurando cartazes com mensagens como "Black Lives Matter" ("As Vidas Negras Importam") e "Juntos por causa de George Floyd".

"Há uma grande mudança a acontecer e toda a gente, especialmente os negros, devem agora fazer parte disso", afirmou Kersey Biagase, que viajou mais de três horas desde o Estado de Louisiana, com a namorada.

O casal usava camisolas iguais que ela desenhou, impressas com o nome de Floyd e "I can't breathe" ("Não consigo respirar"), as últimas palavras que o afro-americano disse antes de morrer.

Vários polícias da Universidade do Sul do Texas vigiavam a entrada na igreja, usando máscaras impressas com essas palavras de Floyd, já que a faculdade historicamente negra fica ao lado do conjunto habitacional de Houston onde Floyd cresceu.

Dezenas de membros da família de Floyd, na maioria vestidos de branco, foram conduzidos à igreja pelo reverendo Al Sharpton, ativista dos direitos civis, juntando-se a eles o 'rapper' Trae tha Truth, que ajudou a organizar uma marcha na cidade, na passada semana, que teve a participação de 60.000 pessoas.

Floyd "falou muitas vezes de um dia ser famoso mundialmente e conseguiu fazer isso na sua morte", podia ler-se no programa fúnebre.

O funeral aconteceu um dia depois de cerca de 6.000 pessoas terem comparecido a um velório público, também em Houston, esperando horas debaixo do sol ardente para prestar homenagem a Floyd, no seu caixão dourado aberto.

"Já fui parado pela polícia. Percebo a situação, mas só consigo imaginar. E se fosse eu? E se fosse o meu irmão? E se fosse a minha irmã ou o meu filho?", lamentou à agência de notícias Associated Press o imigrante nigeriano Daniel Osarobo, de 39 anos.

Nos últimos seis dias, foram realizados vários memoriais para Floyd em Minneapolis, onde morou nos últimos anos, e em Raeford, na Carolina do Norte, perto de onde nasceu.

Estes eventos tiveram a presença de famílias de outras vítimas negras cujo nome se tornaram parte do debate sobre raça e injustiça, entre eles Eric Garner, Michael Brown, Ahmaud Arbery e Trayvon Martin.

A morte de Floyd reforçou a atenção para o tratamento dos afro-americanos nos Estados Unidos às mãos da polícia e do sistema de justiça.

Nas últimas duas semanas, mudanças radicais e antes impensáveis aconteceram: estátuas da Confederação foram derrubadas e muitas cidades estão a debater a revisão, o desmantelamento ou o corte de fundos para os departamentos da polícia.

Em alguns lugares, as autoridades já impediram a polícia de utilizar estrangulamentos ou estão a repensar novas políticas sobre o uso de força.

Porém, o Presidente norte-americano, Donald Trump, continua a privilegiar um discurso de firmeza.

"Não vamos cortar os fundos da polícia, nem vamos desmantelar a polícia", declarou o milionário republicano na segunda-feira.

George Floyd, um afro-americano de 46 anos, morreu em 25 de maio, em Minneapolis (Minnesota), depois de um polícia branco lhe ter pressionado o pescoço com um joelho durante cerca de oito minutos numa operação de detenção, apesar de Floyd dizer que não conseguia respirar.

Desde a divulgação das imagens nas redes sociais, têm-se sucedido os protestos contra a violência policial e o racismo em dezenas de cidades norte-americanas, algumas das quais foram palco de atos de pilhagem.

Os quatro polícias envolvidos foram despedidos, e o agente Derek Chauvin, que colocou o joelho no pescoço de Floyd, foi acusado de homicídio em segundo grau, arriscando uma pena máxima de 40 anos de prisão.

Os restantes vão responder por auxílio e cumplicidade de homicídio em segundo grau e por homicídio involuntário.

A morte de Floyd ocorreu durante a sua detenção por suspeita de ter usado uma nota falsa de 20 dólares (18 euros) numa loja.

Algumas das manifestações pacíficas que ocorreram após a morte de Floyd foram marcadas por explosões de fogo posto, vandalismo e pilhagens, com mais de 10.000 pessoas detidas, mas nos últimos dias os protestos têm sido esmagadoramente pacíficos.

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