Pandemia

EUA atingiram a previsão mais pessimista de Fauci: 200 mil mortes com covid-19

EUA atingiram a previsão mais pessimista de Fauci: 200 mil mortes com covid-19

O número de mortes causadas pelo novo coronavírus atingiu, esta terça-feira, 200 mil na maior potência económica mundial, os EUA, apesar de este ter sido considerado, no início do ano, o país mais bem preparado para uma pandemia.

Com este números (200.005 mortes), ultrapassa-se o cenário mais pessimista de Anthony Fauci, o líder do combate à covid-19 no país e consultor da Casa Branca que se tornou famoso por contrariar Donald Trump, que apontava para 100 mil mortes nos EUA, 200 mil se nenhuma medida fosse tomada.

"É completamente incompreensível que tenhamos chegado a este ponto", disse esta terça-feira Jennifer Nuzzo, investigadora de saúde pública da Universidade Johns Hopkins, que não escapa à surpresa provocada pelo facto de os relatórios mundiais apresentarem os EUA como o país mais bem preparado para lidar com uma pandemia.

O número de 200 mil mortes com covid-19 é, de longe, o mais elevado no mundo, e foi relatado pela Johns Hopkins, com base em dados fornecidos pelas autoridades de saúde estaduais.

Mas acredita-se que o número real seja muito maior, em parte porque muitas mortes com o novo coronavírus foram provavelmente atribuídas a outras causas, especialmente no início, antes dos testes generalizados.

O número de mortos com covid-19 nos EUA é equivalente ao número de vítimas de um ataque como o de 11 de setembro de 2001, todos os dias, durante 67 dias.

As mortes atingem cerca de 770 por dia, em média, e um modelo da Universidade de Washington prevê que o número total de mortes nos EUA duplicará para 400.000, até ao final do ano, à medida que as escolas reabrem e chega o frio.

Os especialistas dizem ainda que, contrariando as palavras do Presidente Donald Trump, não é provável que haja uma vacina disponível antes de 2021.

"A ideia de 200.000 mortes é realmente muito preocupante, em alguns aspetos impressionante", reconheceu Anthony Fauci, o principal conselheiro da Casa Branca para a pandemia.

O número reflete a posição nada invejável da América, que se tem mantido, há cinco meses, como líder mundial em número absoluto de infeções confirmadas, num país que tem menos de 5% da população mundial, mas mais de 20% das mortes relatadas.

Apenas cinco países - Peru, Bolívia, Chile, Espanha e Brasil - têm classificação superior em mortes com covid-19, 'per capita'.

O Brasil ocupa o segundo lugar na lista dos países com mais mortes, com cerca de 137.000, seguido pela Índia com aproximadamente 89.000 e o México com cerca de 74.000.

Quando o ano começou, os EUA tinham conquistado há pouco o reconhecimento por estarem prontos para uma pandemia.

As autoridades de saúde pareciam confiantes quando convergiram para Seattle, o epicentro inicial da pandemia no país, em janeiro, para lidar com o primeiro caso conhecido de coronavírus no país, detetado num residente do estado de Washington, de 35 anos, que voltara de visitar a sua família em Wuhan, China, onde tudo começou.

Em 26 de fevereiro, Donald Trump exibiu páginas do Índice de Segurança de Saúde Global e declarou: "Os Estados Unidos são classificados como o país melhor preparado".

Mas o novo coronavírus penetrou rapidamente nos EUA e a proibição de viagens aconteceu quando o número de novas infeções já estava a aumentar vertiginosamente, em particular em lares de idosos, onde já morreram mais de 78.000 pessoas.

O vírus também explorou as desigualdades nos Estados Unidos: quase 30 milhões de pessoas no país não têm seguro e há grandes diferenças de saúde entre grupos raciais e étnicos.

Trump minimizou a ameaça desde o início, anunciando noções infundadas sobre o comportamento do vírus, promovendo tratamentos não comprovados ou perigosos, reclamando que os EUA estavam a fazer demasiados testes e transformando a questão das máscaras de proteção numa questão política.

Em 10 de abril, o Presidente previu que os EUA não chegariam às 100.000 mortes, mas esse número foi atingido em 27 de maio.

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