Kyle Rittenhouse

Kenosha: Absolvido adolescente que matou dois homens em protestos contra racismo

Kenosha: Absolvido adolescente que matou dois homens em protestos contra racismo

O adolescente norte-americano Kyle Rittenhouse, que matou dois homens e feriu um terceiro em 2020, durante protestos contra a violência policial contra negros em Kenosha, no Estado norte-americano do Wisconsin, foi absolvido, esta sexta-feira, de todas as acusações.

Rittenhouse, de 18 anos, poderia ter sido condenado a prisão perpétua, pena pedida pela acusação, se considerado culpado da mais grave acusação de que era alvo: homicídio qualificado. Era ainda acusado de homicídio, tentativa de homicídio e de colocar em risco a segurança pública, por matar dois homens e ferir um terceiro com uma arma semiautomática, durante uma noite de protestos antirraciais no tumultuoso verão de 2020.

Em tribunal, Rittenhouse disse que "não fez nada de errado". "Eu defendi-me", contou. "Não pretendia matá-los. Pretendia parar as pessoas que me estavam a atacar."

O advogado de defesa Mark Richards disse que Rittenhouse "não disparou contra ninguém até ser perseguido e encurralado". "Todas as pessoas que foram baleadas estavam a atacar Kyle - uma com um skate, outra com as mãos, outra com os pés e outra com uma arma", afirmou

Por sua vez, os procuradores defenderam que Rittenhouse - que vivia no estado vizinho de Illinois - foi a Kenosha como um autoproclamado "polícia júnior" e "tomou uma série de decisões imprudentes". "Ninguém lhe pediu para o fazer", argumentou o procurador Thomas Binger.

O júri, composto por 12 pessoas, emitiu o veredicto após três dias e meio de deliberação à porta fechada, depois de Rittenhouse ter alegado legítima defesa no caso do tiroteio que esteve no centro de um debate nacional sobre a posse de armas, a existência de vigilantes que fazem justiça por mãos próprias e a injustiça racial nos Estados Unidos.

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"Nojento", reage o mayor de Nova Iorque

O mayor de Nova Iorque, Bill de Blasio, foi um dos primeiros a reagir ao veredicto, considerando-o "nojento". "Isto envia uma mensagem horrível a este país", escreveu, no Twitter. "Chamar isto de erro judicial é um eufemismo".

Os legisladores republicanos, por seu lado, saudaram a decisão. "A justiça foi feita", disse o senador Ron Johnson, de Wisconsin. "Espero que todos possam aceitar o veredicto, permanecer em paz e deixar a comunidade de Kenosha se curar e se reconstruir." O governador de Wisconsin, Tony Evers, colocou 500 membros da Guarda Nacional à disposição para o caso de haver problemas após o veredicto.

"A autodefesa é um direito inerente dentro e fora de casa", afirmou, por sua vez, o deputado Lee Zeldin, um republicano de Nova Iorque.

O caso chamou a atenção nacional, tendo surgido das manifestações "Black Lives Matter" que varreram o país no ano passado. A agitação civil irrompeu em Kenosha, uma cidade de 100 mil habitantes nas margens do Lago Michigan, em agosto de 2020, depois que um polícia branco ter disparada várias vezes contra um homem negro, Jacob Blake, deixando-o paralisado.

Em círculos da extrema-direita, Rittenhouse, que afirmou ter ido a Kenosha para proteger empresas de incendiários e saqueadores, foi pintado como uma figura heróica.

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