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Niemeyer: o arquiteto da linha sensual

Niemeyer: o arquiteto da linha sensual

A originalidade e a imaginação do brasileiro Oscar Niemeyer valeram-lhe uma reputação de líder da arquitetura moderna. "Não é o ângulo reto que me atrai. Nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual", dizia.

Dono de uma personalidade doce e incisiva, características aprofundadas pela sabedoria do tempo, a história do artista fluminense cruza-se com a política, literatura, fotografia e artes plásticas brasileiras.

Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares nasceu a 15 de dezembro de 1907, no Rio de Janeiro.

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Em 1928, casou-se com Annita Baldo, com quem teve sua única filha, Anna Maria Niemeyer, que morreu em 2012. Viúvo desde 2004, voltou a casar-se, com a sua secretária dois anos mais tarde.

Em 1929, ingressou na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro e em 1934 obteve o diploma de engenheiro arquiteto no Rio de Janeiro e trabalhou com o arquiteto suíço Le Corbusier.

Ingressou no Partido Comunista Brasileiro em 1945 e um ano depois foi convidado a dar um curso na Universidade de Yale, nos Estados Unidos, mas o visto de entrada foi cancelado.

Dois anos depois, obtida a permissão de entrada, viajou para Nova Iorque para desenvolver o projeto da sede da ONU.

Niemeyer realizou sua primeira viagem à Europa em 1954 para participar na Exposição Internacional de Arquitetura de Berlim (Interbau). Integrou ainda o programa de reconstrução da capital alemã no pós-guerra.

Em 1957 e 1958, o arquiteto projetou o Palácio da Alvorada - residência oficial do Presidente -, o Palácio do Planalto e todos os principais edifícios da nova capital brasileira, inaugurada em abril de 1960.

Estava fora do país quando foi surpreendido pela notícia do golpe militar no Brasil e no regresso foi chamado a depor perante as novas autoridades.

Em 1965, retirou-se da Universidade de Brasília com mais 200 professores, em protesto contra a política universitária, e viajou para Paris para a exposição de sua obra no Museu do Louvre. No mesmo ano, projetou a sede do Partido Comunista Francês.

Em 1967, impedido de trabalhar no Brasil, instalou-se em Paris e três anos depois, em protesto contra a guerra do Vietname, afastou-se da Academia Americana de Artes e Ciências.

Niemeyer regressou ao Brasil no começo da década de 1980, no início da abertura política brasileira e dez anos depois desligou-se do Partido Comunista Brasileiro, embora tivesse mantido até ao fim amizade com figuras como Fidel Castro.

Recebeu o Prémio Pritzker em 1988 (Estados Unidos) e o Leão de Ouro da Bienal de Veneza, em 1996, dois dos muitos prémios e homenagens ao arquiteto brasileiro.

Niemeyer deixa muitas obras e projetos diversos no Brasil e em vários países. Projetou a Universidade de Constantine, na Argélia, o Memorial da América Latina, em São Paulo, o Sambódromo, no Rio de Janeiro, a Residência em Oslo, o Acqua City Palace Moscovo, na Rússia, o Museu do Cinema e o Museu de Arte Contemporânea, em Niterói, no Rio de Janeiro.

Em Portugal, em 1966, fez o projeto original da obra do Pestana Casino Park, no Funchal, cuja construção foi finalizada nos anos 70, mas um dos seus colaboradores, Viana de Lima, modificou e concluiu o desenho final.

O arquiteto brasileiro também projetou uma obra de urbanização no Algarve, em 1965, mas esta nunca foi realizada, tal como a sede da Fundação Luso-Brasileira em Lisboa, pensada em 1990.

Em 2006, desenhou o Centro Cultural Internacional Oscar Niemayer, na cidade de Avilés, em Espanha, inaugurado em março de 2011 e fechado no final do mesmo ano por divergências da administração do instituto com o Governo espanhol.

Apesar da idade avançada e da saúde já debilitada, Niemeyer manteve até o fim a rotina de trabalho no seu escritório, localizado na Avenida Atlântica, em Copacabana, no Rio de Janeiro.

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