Rússia

Putin envia forças de "manutenção da paz" para territórios separatistas

Putin envia forças de "manutenção da paz" para territórios separatistas

O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, ordenou a mobilização do Exército russo para "manutenção da paz" nos territórios separatistas pró-russos no leste da Ucrânia, que reconheceu como independentes esta segunda-feira.

Putin assinou dois decretos que pedem ao Ministério da Defesa que "as Forças Armadas da Rússia [assumam] as funções de manutenção da paz no território" das "repúblicas populares" de Donetsk e Lugansk, segundo noticia a agência France Presse (AFP).

Os decretos assinados pelo chefe de Estado russo também estabelecem consultas entre Moscovo e as repúblicas agora reconhecidas para o estabelecimento de relações diplomáticas e entram em vigor a partir do momento da sua publicação, refere o texto do Kremlin (presidência russa).

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Nos textos não foi divulgado nenhum cronograma de implantação ou a sua extensão.

O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, reconheceu, esta segunda-feira, a independência dos territórios separatistas pró-Rússia no leste da Ucrânia, com os quais assinou tratados de amizade e assistência mútua com os líderes de Donetsk, Denis Pushilin, e Lugansk, Leonid Pásechnik.

Há cerca de 190 mil soldados russos ao longo da fronteira ucraniana.

Ucrânia continua a reconhecer regiões como territórios ucranianos

A Ucrânia continua a considerar as regiões de Donetsk e Lugansk, incluindo as áreas controladas por separatistas pró-Rússia, parte de seu território, afirmou o secretário do Conselho de Defesa e Segurança Nacional, Oleksii Danilov.

Em conferência de imprensa, Oleksii Danilov salientou que Kiev continuará a cumprir "as suas obrigações" com "todos os habitantes" de Donbass após o reconhecimento da independência das autoproclamadas repúblicas separatistas pelo presidente russo Vladimir Putin.

Reconhecimento dos separatistas por Moscovo é "violação" da soberania ucraniana

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que a decisão da Rússia em reconhecer a independência dos territórios separatistas no Donbass ucraniano "é uma violação da integridade territorial e da soberania da Ucrânia". É "incompatível com os princípios da Carta das Nações Unidas", salientou o diplomata português através de um comunicado.

António Guterres sublinhou também que as Nações Unidas, de acordo com as resoluções da Assembleia Geral, continuam a apoiar plenamente a soberania, independência e integridade territorial da Ucrânia, dentro das suas fronteiras internacionalmente reconhecidas.

A Assembleia Geral da ONU deve realizar uma reunião anual na quarta-feira sobre a "ocupação temporária" da Ucrânia, estabelecida após a anexação da Crimeia pela Rússia em 2014.

No comunicado, o secretário-geral da ONU "insta todos os atores envolvidos a concertar os seus esforços na cessação imediata das hostilidades" e "na proteção de civis e infraestruturas civis", tornando a diplomacia uma prioridade para resolver a crise.

Segundo fontes diplomáticas, estavam em andamento conversações para convocar uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU o mais rápido possível sobre o reconhecimento da independência dos territórios separatistas pela Rússia. Esta reunião, a acontecer, será coincidentemente realizada sob a presidência russa, visto que Moscovo assume em fevereiro a presidência rotativa do Conselho de Segurança.

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