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Quanto custa à Ucrânia destruir os temíveis drones kamikaze?

Quanto custa à Ucrânia destruir os temíveis drones kamikaze?

Sistemas de defesa aérea custaram ao Governo de Kiev, entre setembro e outubro, 28,8 milhões de euros, um valor muito superior àquele que o Kremlin terá dispensado para comprar drones ao Irão.

Embora o regime iraniano continue a negar o envio de drones fabricados no país para a Rússia, a Ucrânia garante que os mais recentes ataques das forças do Kremlin têm sido efetuados com recurso a meios aéreos não tripulados provenientes de Teerão.

O Governo de Kiev assegura que a maior parte dos veículos têm sido intercetados e destruídos ainda no ar, mas esta operação representa custos muito elevados para o estado liderado por Volodymyr Zelensky - tão elevados que são superiores aos valores alegadamente gastos por Moscovo para abastecer o seu arsenal com estas armas desenvolvidas no Irão.

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Os sistemas de defesa aérea que as forças ucranianas têm ao dispor terão abatido 161 drones Shahed 136, também conhecidos como kamikaze por se autodestruírem no momento do ataque, um Shahed 129 e quatro Mohajer 6s, indica uma análise feita pelo Molfar Porject e publicada pelo "The Guardian".

Para Artem Starosiek, responsável do Molfar Porject, o facto de o Kremlin estar a recorrer a drones fabricados fora do país mostra que "a Rússia não possui as próprias armas", o que espelha as perdas de meios militares que sofreu nos últimos meses. No entanto, a compra de veículos aéreos ao aliado tem outra justificação: o baixo custo. No caso dos drones Shahed 136, por exemplo, o preço de cada situa-se entre 20 mil e 50 mil euros, o que é muito mais barato do que produzir um míssil de cruzeiro.

Segundo os cálculos da organização, o material derrubado pela Ucrânia nas últimas semanas deu ao Kremlin uma despesa entre 11,82 e 18,3 milhões de euros, tendo em conta que a deteção e destruição dos veículos não permitem que estes executem o ataque previamente programado.

Ainda assim, os sistemas que a Ucrânia possui para derrotar os drones, jatos MiG-29, mísseis de cruzeiro C-300, sistemas de defesa Nasams e armas mais pequenas usadas pelo inimigo, requerem um investimento muito superior àquele que terá sido feito pela Rússia na compra de drones iranianos. Estima-se, indica a análise, que só de 13 de setembro a 17 de outubro, a Ucrânia tenha gasto 28,8 milhões de euros na destruição dos aparelhos lançados pelo inimigo.

Starosiek explica ao jornal britânico que as características da trajetória de voo dos drones tornam difícil a captura por parte das defesas terrestres, como tal, tornou-se primordial investir na tecnologia de "captura de drones" para melhorar a taxa de destruição.

Até 6 de outubro, indica o ministério da Defesa do Reino Unido, foram aniquilados no ar 60% dos drones detetados. Porém, dados da Molfar Porject sugerem que perto de 80% dos 208 Shahed-136 lançados até 17 de outubro foram abatidos pelos combatentes ucranianos, o que representa uma melhoria significativa. Ainda assim, a Ucrânia alega que já conseguiu destruir mais de 200 drones desde o dia 13 de setembro, dia em que foi detetada a primeira queda de um drone kamikaze Shahed-136.

Apesar de o Pentágono ter confirmado o uso destes drones por parte das forças russas, o Irão continua a negar o envio destes veículos para a Rússia. Já o Kremlin sublinha que não tem conhecimento do uso destes drones.

A União Europeia, por sua vez, continua atenta e, de acordo com diplomatas do bloco comunitário, brevemente deverão ser aplicadas sanções ao Irão pelo alegado envolvimento na guerra da Ucrânia.

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