Multimilionários

Sanções não travam jatos de oligarcas russos nos ares

Sanções não travam jatos de oligarcas russos nos ares

Apesar das sanções e proibições de voos impostas pelo Ocidente à Rússia na sequência da invasão da Ucrânia, jatos privados com ligações a autoridades e oligarcas russos continuam a voar para dentro de fora dos aeroportos da União Europeia e do Reino Unido, revelou uma investigação do "The Guardian".

As regras de sanções da UE permitem que os alvos das sanções efetuem pagamentos para atender "necessidades básicas", como custas processuais e despesas legais, mas não mencionam gastos associados aos movimentos de aviões particulares, como a compra de combustível de aviação.

Em colaboração com o Projeto de Reportagem sobre Crime Organizado e Corrupção - uma rede de organizações dedicadas ao jornalismo de investigação -, o jornal britânico identificou e rastreou jatos ligados a vários empresários e funcionários russos sancionados, incluindo Roman Abramovich (dono do Chelsea), Igor Shuvalov (ex-vice-primeiro-ministro russo) e Alisher Usmanov (grande patrocinador do Everton e ex-acionista de 30% do Arsenal).

Avaliando os movimentos das aeronaves, algumas parecem cumprir as proibições e sanções do espaço aéreo, mas outras escapam às restrições, aponta a análise do diário de referência, que também mostrou que jatos associados a cidadãos russos alvo de sanções voaram para os Emirados Árabes Unidos (país popular entre a elite russa) em maior número durante a semana após o início da invasão do que em qualquer outra semana do ano.

Entra e sai de jatos depois da imposição de sanções

Jatos ligados ao ex-governante russo Shuvalov foram rastreados a entrar e sair de aeroportos da União Europeia (UE) depois de o bloco europeu ter imposto sanções, a 23 de fevereiro, um dia antes do início da ofensiva russa em território ucraniano. Segundo dados fornecidos pelo serviço de rastreamento de voos Flightradar24, o jato Bombardier Global Express, de matrícula LX-ABC, propriedade de Shuvalov, realizou vários voos entre Genebra, Munique, Paris, Milão e Helsínquia depois dessa data. Os registos não incluem informação sobre quem estava a bordo do avião, que normalmente é vendido por 10 milhões de dólares (nove milhões de euros).

Outros dois jatos multimilionários ligados a Alisher Usmanov saíram dos aeroportos da UE depois de "aeronaves de propriedade russa, registadas ou controladas pela Rússia" terem sido banidas do espaço aéreo pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. No dia seguinte à imposição da proibição de voos e no mesmo dia em que Usmanov foi adicionado à lista de sanções, um Airbus A340 ligado ao milionário, cuja versão comercial pode acomodar 370 passageiros e que custa até 450 milhões de euros, deixou Munique na noite de 28 de fevereiro e foi registado pela última vez descendo sobre Tashkent nessa noite. O segundo jato deixou Florença no mesmo dia.

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Oligarcas podem arrendar

Um porta-voz de Usmanov disse que as sanções contra o multimilionário se basearam em suposições "incorretas" sobre o seu relacionamento com o Kremlin, acrescentando que os seus ativos, incluindo jatos particulares, foram transferidos para fundos irrevogáveis ​​muito antes de as sanções serem impostas contra o bilionário. "Dado que o jato [que partiu de Munique] não pertence nem controlado por Usmanov, e só pode ser usado por ele em termos de arrendamento, não há fundamento legal para qualquer proibição em relação às sanções individuais impostas", argumentou, negando "qualquer irregularidade ou tentativa de evitar que quaisquer ativos fossem sancionados".

Enquanto alguns dos jatos permanecem fora do alcance das autoridades, apesar de estarem vinculados a oligarcas sob sanções, outras aeronaves já foram apreendidas ou impedidas de voar. Aparelhos ligados a Abramovich também estiveram ativas nas semanas que se seguiram à invasão da Ucrânia. Um deles, um Bombardier Global 6000, está estacionado na Letónia sem autorização de saída até à confirmação de propriedade pelas autoridades do Luxemburgo, onde o avião está registado. Se se confirmar que pertence a Abramovich, ligado a pelo menos três outros jatos particulares, será considerado um ativo congelado.

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