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António Costa soma notas positivas mas Marcelo ganha na confiança

António Costa soma notas positivas mas Marcelo ganha na confiança

Primeiro-ministro (63%) e presidente (61%) com popularidade elevada, em particular entre os mais velhos e as mulheres.

Os portugueses dão melhor nota a António Costa do que a Marcelo Rebelo de Sousa. É a principal novidade do primeiro barómetro político da Aximage para o JN e a TSF. O primeiro-ministro não tem, no entanto, demasiadas razões para festejar. Uma coisa é a avaliação de desempenho, outra a confiança, matéria em que o presidente da República continua imbatível.

A comparação com resultados de barómetros anteriores não é possível. Com a mudança de parceiro nos estudos de opinião, houve também alguns ajustes a algumas das perguntas sobre as principais personagens da vida política portuguesa.

Um desses ajustes tem a ver com o facto de fazermos agora a mesma pergunta sobre o desempenho e usarmos os mesmos critérios de avaliação. E isso explicará, pelo menos parcialmente, por que razão tem agora Costa mais avaliações positivas do que Marcelo.

A diferença é de escassos dois pontos percentuais, mas o primeiro-ministro consegue 63% de notas positivas, contra os 61% do presidente. Ao contrário, o inquilino de Belém tem um pouco mais de avaliações negativas (22%) do que o de S. Bento (18%). No entanto, ao analisar os diferentes segmentos da amostra, são mais os elementos que os unem, do que aqueles que os separam.

Ambos assentam boa parte da sua quota de popularidade nos habitantes das áreas metropolitanas do Porto e de Lisboa e nos eleitores socialistas (em ambos os casos com pequena vantagem para Costa), bem como entre a as mulheres e os cidadãos com 65 ou mais anos (em ambos os casos com pequena vantagem para Marcelo).

Homens descontentes

Voltam a partilhar o mesmo padrão quando se destacam as notas negativas, uma vez que os mais descontentes com Costa e Marcelo são os homens, os que vivem nas regiões Norte e Sul, os que fazem parte das classes sociais mais elevadas e os eleitores do PSD (mas mesmo entre estes há claramente mais notas positivas que negativas, sobretudo no caso do presidente).

Os caminhos de Belém e S. Bento voltam a separar-se ao mudar de pergunta. Quando os portugueses são confrontados com a necessidade de entregar a sua confiança a Marcelo ou a Costa, o presidente mais do que duplica (41%) o resultado conseguido pelo primeiro-ministro (17%). E também as praças-fortes são agora diferentes: o presidente supera-se no Norte e Centro, entre os mais novos e os mais pobres; o primeiro-ministro está um pouco melhor que a média nas áreas metropolitanas, entre os eleitores mais velhos e os mais ricos.

Mas é quando se analisa a preferência partidária dos portugueses que se estabelece uma fronteira mais nítida no capítulo da confiança. É sobretudo graças ao eleitorado mais à Direita que o presidente cimenta a liderança (62 pontos percentuais de diferença entre os que votam PSD e 35 entre os que votam nos restantes partidos à Direita), mas também com um empurrão bloquista (10 pontos de diferença). António Costa só fica à frente entre os eleitores da CDU (mais 21 pontos) e do PS (mais 12 pontos).

O Governo tem pior cotação que o homem que o lidera: menos seis pontos percentuais nas avaliações positivas; mais oito pontos negativos. Mas, pior ainda está a Oposição, que só se mantém acima da linha de água por escassos pontos percentuais: 37% dão-lhe nota positiva, enquanto 33% optam pela negativa.

Curiosamente, é à Esquerda que a Oposição tem melhor avaliação. Ao contrário, os mais críticos são os eleitores à Direita. Ou seja, os eleitores do PS, o partido que está no Governo, dão mais positivas do que negativas à Oposição, onde estão o PSD e os restantes partidos mais à Direita.

Bloco e CDU

O mesmo acontece entre os eleitores do Bloco e da CDU, ou seja, dos dois partidos que nos últimos cinco anos têm servido de suporte ao Governo no Parlamento, e que, portanto, estão um pouco mais longe de serem considerados como partidos de Oposição.

Ao contrário, os eleitores do PSD e dos restantes partidos mais à Direita dão mais negativas que positivas à Oposição a que, sem dúvida, pertencem. Não é uma boa notícia, sobretudo para Rui Rio, uma vez que são precisamente os sociais-democratas os mais críticos: 44% dão nota negativa.

No que diz respeito aos restantes segmentos da amostra, a Oposição tem saldo positivo em regiões como o Norte, Porto e Lisboa, entre as mulheres e os mais pobres; mas fica com saldo negativo no Centro e no Sul, entre os homens e os que têm 65 ou mais anos.

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