
Grande afluência em maio e na JMJ alimenta a expectativa de superar números de 2019 e chegar aos de 2017
Filipe Amorim/Global Imagens
Reservas para o 13 de maio apontam para taxa de ocupação a rondar os 100%, regressando aos números pré-pandemia.
A menos de cinco meses da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) em Lisboa, as reservas hoteleiras em Fátima apontam para uma ocupação próxima dos 100% durante a semana do evento, em que se aguarda o regresso do Papa à Cova da Iria. Antes, é esperada uma enchente para o 13 de maio, a primeira grande peregrinação do ano, que os hoteleiros anteveem que seja de casa cheia, voltando aos números pré-pandemia. Em termos de preços, a semana da JMJ aparece com valores semelhantes aos de maio.
A pesquisa pelas principais plataformas online mostra que perto de 85% dos alojamentos estão já indisponíveis para a semana da JMJ. A média das ofertas encontradas aponta para um custo a rondar os 2400 euros para a semana de 31 de julho a 6 de agosto (média de 400 euros por noite), com preços que variam entre 504 euros por semana num quarto em alojamento particular e os 7400 euros num hotel de três estrelas.
Para o 13 de maio também escasseiam as opções. A pesquisa nas plataformas Booking e Trivago deteta pouco mais de uma dúzia de alojamentos disponíveis, com um preço médio por noite, entre os dias 11 e 13, a rondar os 350 euros. Quem só fique de 12 para 13 de maio pagará em média 500 euros.
"Haverá exceções, mas, na generalidade, os preços [para a JMJ] mantêm-se nos níveis usuais para as grandes peregrinações", assegura a presidente da Associação Empresarial de Ourém-Fátima (Aciso), Purificação Reis, numa análise partilhada por vários hoteleiros ouvidos pelo JN, que negam a existência de especulação. "O que se cobra em Fátima num 13 de maio e agora na JMJ é idêntico ao que se cobra em muitos fins de semana em Lisboa ou no Porto", alega Jorge Heleno, diretor do Hotel Dom Gonçalo.
Também Alexandre Marto, administrador do Fátima Hotels Group, que gere oito unidades na Cova da Iria, considera que os preços praticados para a JMJ, "próximos" do 13 de maio, "não são especulativos" e acompanham o aumento da procura nesse período.
No recente encontro de hoteleiros, o bispo D. José Ornelas deixou um apelo contra a especulação de preços. "Era bom que não nos deixássemos cair numa dimensão apenas economicista", exortou.
Números próximos de 2017
De acordo com dados da associação empresarial, na semana da JMJ, as reservas estarão "próximas dos 100%" e nos dias pré e pós-evento encontram-se "acima dos 60%". Será um período "muito desafiante e exigente", antevê a presidente da Aciso, frisando que a pressão da procura vai "estender-se no tempo e não só num ou dois dias de peregrinação". "A JMJ vai ter um enorme impacto económico, que não ficará só em Lisboa, mas que se estenderá a Fátima e envolvente", reforça Alexandre Marto, convicto de que muitos visitantes aproveitarão a capacidade hoteleira de Fátima "como base" para visitar outras zonas do país e para participar nas atividades da JMJ.
Com a perspetiva de casa cheia em maio e durante a JMJ e com o recente levantamento das restrições que ainda vigoravam nos mercados asiáticos, os empresários acreditam que, este ano, Fátima superará os números de 2019 e que se aproximará dos de 2017, ano do Centenário das aparições e da visita do Papa, quando a Cova da Iria recebeu cerca de 9,4 milhões de peregrinos. Purificação Reis adverte, no entanto, que este aumento da procura trará também a necessidade de "solucionar problemas estruturais, nomeadamente de falta de recursos humanos".
Coro da JMJ vai ter participação de surdos
Quando o Papa Francisco presidir ao acolhimento a milhares de participantes na Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no Parque Eduardo VII, em Lisboa, a 3 de agosto, vai deparar-se com uma novidade absoluta: o coro integrará elementos surdos. A inclusão desta comunidade é pela primeira vez patenteada no coro das cerimónias de uma JMJ, estando a participação a ser encarada com grande entusiasmo pelos seis elementos do projeto Mãos Que Cantam, a que se juntarão nos próximos meses jovens surdos de múltiplas dioceses do país.
