Mendes e Seguro empatados (41%) na segunda volta. Ventura continua a ser goleado por todos, incluindo Cotrim
Texto de Rafael Barbosa e gráficos de Inês Moura Pinto
Faltam quatro semanas para as eleições presidenciais, e, com menos de seis pontos percentuais a separar os cinco primeiro classificados, a sondagem da Pitagórica para o JN, TSF, TVI e CNN testou dez cenários para uma segunda volta (antes eram apenas seis), de forma a incluir Cotrim de Figueiredo. Mas essa não é a única alteração face a outubro e novembro. Em outubro, Gouveia e Melo vencia todos os duelos; em novembro era Marques Mendes; em dezembro há um rigoroso empate do social-democrata com António José Seguro.
Quando se colocam frente a frente os ex-líderes do PSD e do PS, o resultado é de 41% para cada um. Mais, ambos vencem, com uma certa facilidade, os restantes adversários, quase sempre por uma margem que os põe ao abrigo da margem de erro (a exceção é o duelo entre Seguro e Cotrim, em que o primeiro tem uma vantagem de apenas seis pontos). O almirante perde para o liberal, embora seja um empate técnico, uma vez que são apenas dois pontos de distância.
Mas há algo que une todos os quatro candidatos já referidos acima: qualquer deles venceria André Ventura por "goleada" (entre 41 e 43 pontos percentuais de diferença). O líder do Chega pode estar em alta nas intenções de voto para a primeira volta, mas, se passar à segunda, quem quer que seja o seu adversário não terá grande dificuldade em derrotá-lo. Mas analisemos cada um dos dez cenários "à lupa".
Um empate que esconde grandes divisões
Depois de um empate técnico em outubro e novembro, há um empate com todas as letras entre Luís Marques Mendes e António José Seguro (41%), num cenário virtual de segunda volta entre os dois. A diferença em relação ao passado recente é que o social-democrata perdeu algum gás, enquanto o socialista melhorou ligeiramente. Colocados perante este possível duelo, há apenas 5% de eleitores indecisos. O empate rigoroso no total da amostra esconde uma realidade bem distinta quando se analisam os diferentes segmentos da amostra (género, idade, classe social, geografia e voto partidário).
Entre homens e mulheres só há semelhança, mas, quando se trata de faixas etárias, é todo um mundo de diferença: Mendes lidera folgado nos três primeiros escalões (18 a 44 anos) e Seguro vence com a mesma facilidade nos três últimos (45 anos em diante). No que diz respeito aos rendimentos, o socialista leva vantagem nos dois mais altos, enquanto o social-democrata lidera entre os mas pobres. Dividem igualmente de forma salomónica o país, com Mendes em vantagem no Centro e sobretudo no Norte, enquanto Seguro lidera em Lisboa e no Sul. No voto partidário, não há surpresas, com os eleitores do PS (75%) a decantarem-se por Seguro, e os da AD (71%) por Mendes. Este último entra melhor na base do Chega, mas o socialista colhe mais frutos no restante espetro partidário.
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Mendes só perde para Gouveia no PS e Chega
Luís Marques Mendes (47%) já tinha ultrapassado Henrique Gouveia em Melo (34%) em novembro, mas em dezembro o fosso alarga-se de sete para 13 pontos percentuais. Quando se compara a evolução destes dois candidatos, num cenário virtual de segunda volta entre os dois, percebe-se que o almirante caiu oito pontos em dois meses, enquanto o social-democrata subiu dez. Há apenas 5% de indecisos (que não são redistribuídos neste exercício). Na análise aos segmentos da amostra percebe-se que a diferença que a vantagem de Mendes é maior entre as mulheres (15 pontos) e que está à frente nos seis escalões etários, mas que a diferença para o almirante se atenua nos dois mais velhos (dos 55 em diante), em particular entre os que têm 65 ou mais anos, com uma vantagem de apenas dois pontos para o social-democrata. Mendes também lidera em todas as classes sociais (nos mais pobres por apenas três pontos) e em todas as regiões, com destaque para o Norte (18 pontos de vantagem) e Lisboa (17 pontos). Quando o que está em causa é o voto partidário mas legislativas de maio, Gouveia e Melo venceria entre os que escolheram o PS (50%) e Chega (41%), mas isso não é suficiente para anula a vantagem de Mendes entre quem votou AD (69%) e em todos os outros (47%).
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Socialista acentua diferenças para o almirante
Já não há empate técnico num eventual duelo entre António José Seguro (48%) e Henrique Gouveia e Melo (34%), num cenário em que há apenas 5% de indecisos. Se, em outubro, era o almirante que estava em vantagem, dois meses depois e com dez pontos percentuais a menos, a agulha virou com força na direção de Seguro, que amealhou mais 11 pontos em dois meses e tem agora uma vantagem de 14 pontos. Tal como no caso de Mendes, é também entre as mulheres que Seguro aprofunda as diferenças. O socialista vence igualmente nos seis escalões etários, mas a vantagem é especialmente elevada entre os 35 e os 54 anos, e menor entre os mais velhos (ainda assim, sete pontos). No que diz respeito às classe sociais, o almirante só vence entre os mais pobres (por dois pontos), mas nas regiões fica sempre muito distante do ex-líder socialista, em particular na de Lisboa (22 pontos). Quando a análise incide no voto partidário, Seguro está à vontade entre quem votou PS (65%) e vence também entre os eleitores da AD (46%), mas Gouveia e Melo venceria o duelo entre os eleitores do Chega (44%).
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Cotrim em empate técnico com almirante e socialista
A sondagem de novembro da Pitagórica marca a estreia de João Cotrim Figueiredo nos cenários de segunda volta, fruto do seu resultado nas projeções para a primeira volta (14,9%), em que fica a uma escassa décima de Gouveia e Melo e a menos de seis pontos de Marques Mendes, que segue em primeiro. De acordo com os vários emparelhamentos, o liberal (42%) estaria até em vantagem sobre o almirante (40%), ainda que na verdade em empate técnico, uma vez que a diferença é de apenas dois pontos. Neste duelo em particular, Cotrim destaca-se sobretudo entre os eleitores masculinos e nos que têm entre 35 e 44 anos (vantagem de 32 pontos), mas perde claramente entre os mais velhos (25 pontos de vantagem para Gouveia e Melo).
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Num embate virtual com Seguro (45%) perde por apenas seis pontos (39%), ou seja, e tendo em conta a margem de erro, de novo em empate técnico. O socialista destaca-se em particular nas mulheres e entre os mais velhos (vantagem de 27 pontos), mas o liberal lidera entre os que têm maiores rendimentos (mais 17 pontos) e também no Norte (por apenas dois pontos. Com Marques Mendes (48%) a derrota seria bem mais provável para Cotrim (33%), de novo com as mulheres e os mais velhos (vantagem de 32 pontos) a fazerem a diferença para o social-democrata. O liberal já não conseguiria vencer em nenhuma região do país, mas voltaria a ter vantagem entre os que têm mais rendimentos (sete pontos). Num frente a frente com o líder do Chega, Cotrim teria uma vitória fácil, tal como todos os outros. Mas essa análise fica para o próximo capítulo.
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Ventura continua a ser "goleado" por todos
Se o adversário de qualquer dos outros quatro principais candidatos for André ventura, continua a não haver dúvidas sobre quem vencerá uma segunda volta: o líder do Chega é "goleado" por todos, com diferenças que oscilam entre os 41 e os 44 pontos. O melhor resultado de Ventura seriam os 23% contra António José Seguro (65%). Contra Gouveia e Melo (62%) e Marques Mendes (65%), baixaria até aos 21%. Finalmente, se o adversário fosse Cotrim Figueiredo (62%), baixaria para os 19%.
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Há alguns denominadores comuns que ajudam a explicar o enorme fosso de Ventura relativamente aos seus adversários. Uma fragilidade muito maior entre as mulheres, resultados sempre piores nos que têm 65 ou mais anos, quando comparado com os restantes escalões etários, e o mesmo entre os eleitores de melhores rendimentos. Apesar de um relativo equilíbrio regional, Ventura destaca-se pela negativa em Lisboa, por ser nessa região que tem os piores resultados, em particular se o adversário for Cotrim. Os melhores resultados nestes cenários virtuais de segunda volta seriam, naturalmente, entre os eleitores do Chega nas legislativas: contra Cotrim e Gouveia e Melo, conseguiria garantir cerca de dois terços dos que votaram no partido que lidera; contra Seguro e Mendes ficaria um pouco acima dos 70 pontos.
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Ficha Técnica
Sondagem realizada pela Pitagórica para a TVI, CNN Portugal, TSF e JN com o objetivo de avaliar a opinião dos portugueses sobre temas relacionados com as eleições presidenciais de 2026. O trabalho de campo decorreu entre os dias 11 e 19 de dezembro de 2025. A amostra foi recolhida de forma aleatória junto de eleitores recenseados em Portugal e foi devidamente estratificada por género, idade e região. Foram realizadas 2012 tentativas de contacto, para alcançarmos 1000 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 49,7%. As 1000 entrevistas telefónicas recolhidas correspondem a uma margem de erro máxima de +/- 3,16% para um nível de confiança de 95,5%. A distribuição de indecisos é feita de forma proporcional. A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC - Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizará para consulta online.

