
Rui Moreira é o mandatário nacional da candidatura de Marques Mendes
Foto: Pedro Granadeiro/Arquivo
Rui Moreira afirmou, nesta quinta-feira, que apoia Luís Marques Mendes à presidência da República para não beneficiar os candidatos que abominam, amesquinham e têm uma visão de "sacristia" da política. Prestes a deixar a Câmara Municipal do Porto, o ainda autarca apontou que é preciso estabilidade para levar a cabo as reformas estruturais para modernizar o Estado.
No discurso de apresentação como mandatário nacional da candidatura presidencial de Luís Marques Mendes, Moreira justificou que desistiu de concorrer a Belém para "não dispersar votos" e porque o projeto do ex-líder do PSD "abrange um vasto espetro político-ideológico".
"Sabemos bem quem beneficiaria com essa dispersão de votos. Seriam aqueles candidatos que abominam a política ou dela têm uma visão de sacristia. Aqueles candidatos que querem quebrar o equilíbrio de poderes e desvirtuar a natureza do regime. Aqueles candidatos que ameaçam destruir o sistema e sonham com uma quarta república de cariz iliberal. Aqueles candidatos que amesquinham a democracia portuguesa e fazem da política mero palco para a sua egomania", atirou, reconhecendo que foi independente na sua vida política, mas nunca repudiou os partidos.
"A candidatura do Dr. Marques Mendes não cavalga a onda antissistema, antes valoriza a democracia e o Estado de Direito. Não diaboliza a política e os políticos, antes reconhece a dedicação ao bem comum. Não se alimenta do ressentimento social, antes propõe um futuro melhor para os portugueses", afirmou.
Moreira alertou para o aumento das narrativas "radicais e antissistémicas" e considerou essencial que a escolha do futuro chefe de Estado fuja ao lado de "aventureirismos ou experimentalismos". "Precisamos de um presidente moderado e unificador, culto e sensato, atento e sensível. Que não reaja por impulso ou se deixe aprisionar por obsessões alheias (...) capaz de exercer as suas funções com firmeza, num tempo em que a governabilidade estará sempre em causa".
Sem se referir a nenhum opositor, até porque realçou que nada o "move contra outros candidatos", Rui Moreira destacou a capacidade de persistência de Marques Mendes. "Quando olhamos o copo e o vemos meio cheio, tentamos enchê-lo. Outros há que preferem quebrá-lo, só porque não têm o engenho para o encher quando o olham e veem meio vazio", notou.
Aliado do Governo
Sobre o futuro, deixou em cima da mesa a importância de encontrar respostas inovadoras, salientando que as reformas necessárias para assegurar a coesão social, a competitividade económica ou o acesso à habitação dependem do poder executivo, mas é "indispensável" uma boa coabitação entre presidente, Governo e Parlamento.
"Na chefia do Estado tem de estar alguém que seja, de facto, um aliado da vontade reformista do atual Governo. Alguém que saiba compreender os méritos de uma parceria sinérgica entre Belém e São Bento, para que, como muitas vezes acontece, as boas intenções reformistas não se esfumem na inoperância legislativa e na morosidade processual", acrescentou.
Antes de relembrar Francisco Pinto Balsemão, que morreu na semana passada, o ainda autarca sublinhou ainda que a candidatura de Marques Mendes é a única que permitirá "fugir à estagnação ou corrosão do regime democrático e à tentação de abdicarmos de direitos, liberdades e garantias".
"Estou consigo por dever de consciência. Um dever que me obriga a sair do meu espaço de conforto para lutar ao seu lado. Abdico da tranquilidade que o fim dos meus mandatos me proporciona porque acredito, firmemente, que o Senhor é o Presidente que Portugal precisa", terminou.

