
Quase dois em cada dez eleitores do Chega nas legislativas também não quer Ventura em "nenhum cargo"
Foto: Pedro Granadeiro
O Chega é muitas vezes catalogado como o partido de um homem só. O seu líder foi, em maio passado, candidato a primeiro-ministro, e assume, agora, a corrida a presidente da República. Qual o fato que lhe assentaria melhor? Na opinião de uma grande maioria dos portugueses, "nenhum" deles (62%), como revela a sondagem da Pitagórica para o JN, TSF, TVI e CNN.
Mesmo quando não é candidato, o Chega alimenta-se de André Ventura e de pouco mais. Prova disso, as recentes eleições autárquicas, em que o líder do Chega aparecia ao lado de todos os candidatos a presidentes de Câmara do seu partido, em cartazes espalhados por todo o país. Só que, não foi, na verdade, candidato a nada e, portanto, os resultados ficaram muito aquém das suas próprias previsões: em vez de 30 autarquias, conquistou três. Sendo certo que até agora não tinha nenhuma.
Com duas candidaturas consecutivas, a cargos diferentes, perguntou-se aos portugueses qual o melhor cargo político para André Ventura, o de primeiro-ministro ou o de presidente? E a resposta é clara: "nenhum" deles (62%). Uma convicção particularmente elevada nas mulheres (mais 15 pontos percentuais que entre os homens), nos eleitores do PS (80%), nos que residem na região de Lisboa e nos que têm maiores rendimentos (68%) e nos mais velhos (67%). Facto curioso, quase dois em dez eleitores do Chega nas legislativas também não o querem, nem em Belém, nem em S. Bento.
Ainda assim, são 23% os que entendem que o fato que melhor lhe assenta é o de primeiro-ministro, com relevo para os homens (29%), os que têm 35/44 anos (34%), os mais pobres (28%) e os eleitores do Chega (60%). Quanto ao cargo que agora concorre, só convence 4% dos inquiridos (e 8% dos que votaram no Chega).
A resposta "nenhum dos dois cargos" é maioritária em quase todos os segmentos da amostra (género, idade, classe social, geografia e voto partidário). A exceção é, naturalmente, a dos eleitores do Chega. Uma resposta em linha com a "taxa de rejeição" que André Ventura revela, nesta mesma sondagem, que teve as eleições presidenciais como pretexto: 73% dizem que "jamais votariam" no líder do partido da direita radical populista para a Presidência da República. E em linha, também, com os resultados projetados para Ventura, se conseguir ser um dos dois candidatos apurados para uma segunda volta: seria derrotado, por "goleada", por qualquer dos quatro potenciais adversários com que foi testado: António José Seguro, Luís Marques Mendes, Henrique Gouveia e Melo e João Cotrim Figueiredo.
Ficha Técnica
Sondagem realizada pela Pitagórica para a TVI, CNN Portugal, TSF e JN com o objetivo de avaliar a opinião dos portugueses sobre temas relacionados com as eleições presidenciais de 2026. O trabalho de campo decorreu entre os dias 11 e 19 de dezembro de 2025. A amostra foi recolhida de forma aleatória junto de eleitores recenseados em Portugal e foi devidamente estratificada por género, idade e região. Foram realizadas 2012 tentativas de contacto, para alcançarmos 1000 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 49,7%. As 1000 entrevistas telefónicas recolhidas correspondem a uma margem de erro máxima de +/- 3,16% para um nível de confiança de 95,5%. A distribuição de indecisos é feita de forma proporcional. A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC - Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizará para consulta online.
