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Bombeiros querem ser comandados por bombeiros

Bombeiros querem ser comandados por bombeiros

A Liga dos Bombeiros Portugueses voltou este domingo a recusar que as corporações sejam comandadas pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), defendendo que a sua organização operacional própria é de "bombeiros comandados por bombeiros".

Na cerimónia de comemoração dos 100 anos dos Bombeiros Voluntários de Areosa-Rio Tinto, em Gondomar, que se realizou neste domingo, António Nunes, presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, apelou ao ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, para que "seja possível ter um comando nacional de bombeiros". O dirigente mostra-se convicto que com essa implementação "os bombeiros serão mais fortes e também a Proteção Civil ficará mais forte".

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À margem da cerimónia, António Nunes referiu aos jornalistas que "há uma discrepância organizacional que tem de ser evitada". E explicou: "O que vai entrar em vigor é a orgânica da ANEPC, que é um serviço do Estado. Ninguém pode determinar que uma associação de bombeiros, que é livre, de direito privado, faça aquilo que entenda a não ser por acordo. Não concordamos integrar esta nova organização. O que queremos é manter a nossa organização distrital, porque entendemos que com uma organização sub-regional vamos perder capacidade de recrutamento, de organização e de gestão dos grandes incidentes. É, por isso, que não nos queremos subdividir".

"Não estamos disponíveis para sermos o ensaio de uma organização que pode correr mal. Porque quando correr mal, o tal comandante das operações de socorro, que normalmente é o comandante de bombeiros, é quem vai ser responsabilizado e é isso que estamos a tentar defender", reforçou António Nunes.

O presidente da Liga diz não ter dúvidas que uma estrutura distrital garante "melhor a mobilização dos meios". Por isso, afirma que os bombeiros vão manter a estrutura a nível distrital com sub-regiões operacionais por forma a ter uma maior capacidade de mobilização de meios e recursos para o combate aos sinistros.

Da mesma forma, o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses referiu que não vai "abdicar do comando nacional de bombeiros". E vincou: "Não estamos disponíveis para que os bombeiros sejam comandados por elementos da Proteção Civil e não por bombeiros".

Em resposta, o ministro da Administração Interna desvalorizou o assunto e preferiu valorizar "o excelente espírito de cooperação entre todas as forças e serviços da Proteção Civil", explicando que a criação dos comandos sub-regionais é uma decisão que já tinha sido tomada no passado". "Não compete ao Governo dizer à Liga dos Bombeiros Portugueses como se deve organizar", assinalou, reforçando, ainda assim, "o diálogo" que tem havido com esta entidade. Ainda assim, o governante mostrou-se convencido que, apesar de discordarem, os bombeiros irão cumprir com a lei.

"A Liga dos Bombeiros diz que não concordou com o modelo já no passado. O que disse foi que, em função da decisão tomada pelo Governo, cumprirá aqueles que são os seus deveres do ponto de vista do cumprimento da lei de proteção civil que está em vigor. E é a essa lei que todos têm de subordinar a sua vontade", afirmou o governante.

Também José Morais, presidente da Federação de Bombeiros do Distrito do Porto, alertou José Luís Carneiro de que "o momento exige coesão e decisões corajosas". E manifestou a sua "discordância com a análise que foi feita do distrito do Porto" e a sua divisão em duas áreas: a do Tâmega e Sousa e a da Área Metropolitana.

Segundo José Morais, esta decisão irá ter "reflexos negativos do ponto de vista operacional", uma vez que "só vai criar uma divisão". "Aquilo que era o sentido estabelecido da operacionalidade, que estava lubrificado há muitos anos, vai ter aqui uma barreira geográfica de responsabilidades de diferentes comandantes locais". O dirigente desconhe "que benefícios operacionais isso possa trazer".

José Luís Carneiro aproveitou a ocasião para dar conta que "no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), o Conselho de Ministros aprovou há poucas semanas a aquisição de mais 81 veículos de combate a incêndios rurais". Do mesmo modo, referiu para que "a área do Comando Regional do Norte virão 14 veículos florestais de combate a incêndios e 12 veículos-tanque táticos florestais".

O PRR contempla ainda "seis milhões de euros para aquisição de equipamentos de proteção individual e um milhão de euros para formar, através da Escola Nacional de Bombeiros, 3.300 agentes de proteção civil".

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