Eleições

PS e PSD empatados na Europa

PS e PSD empatados na Europa

O PS está à frente do PSD nas intenções de voto, mas a situação é de empate técnico. De acordo com uma sondagem da Pitagórica para o JN e a TSF, os socialistas teriam agora 30,3% e os sociais-democratas 28%. O Bloco destaca-se no terceiro lugar (11,3%), seguindo-se o CDS (7,6%) e a CDU (6,5%). Nenhum outro partido conseguiria eleger eurodeputados.

Quando falta exatamente um mês para as eleições europeias há, ainda, um número muito elevado de indecisos: um em cada quatro eleitores (26,2%) não está certo do seu voto. Suficiente para inverter várias contas, seja no campeonato dos grandes, seja na liga dos últimos. Nesta última, o único que se destaca é o PDR de Marinho e Pinto (1,7%), mas longe do feito de 2014, quando conseguiu 7,1% para o MPT e dois eurodeputados. Todos os restantes 11 partidos ou coligações marcam menos de 1%.

Quando se compara esta projeção com os resultados de há cinco anos, o PS e Pedro Marques estão em perda (menos um ponto percentual) e arriscam, até, perder um dos seus deputados. Um resultado que traz à memória a frase assassina de António Costa, no rescaldo das europeias de 2014: "Quem ganha por poucochinho é capaz de poucochinho". O partido concordou e trocou Seguro por Costa.

O PSD e Paulo Rangel, no entanto, não têm motivos para festejar: os seus atuais 28% seriam o pior resultado de sempre numas europeias (se tivermos apenas em conta as eleições a que concorreu isoladamente). Melhor, ainda assim, do que os 27,7% conseguidos em coligação com o CDS, em 2014. A Direita considerada em conjunto dá, aliás, um salto de oito pontos percentuais. Sensivelmente o resultado que conseguem, agora a solo, o CDS e Nuno Melo. Ou o equivalente ao resultado de há cinco anos de Marinho e Pinto.

Esquerda sem alterações

A soma dos três partidos mais à Esquerda mostra maior estabilidade: teriam, de acordo com a projeção da Pitagórica, os mesmos 48% de há cinco anos. O que não quer dizer que fique tudo na mesma. Há uma inversão de lugares entre BE e CDU. Os bloquistas e Marisa Matias cresceriam sete pontos e poderiam chegar aos três eurodeputados, repetindo os resultados de 2009 com o falecido Miguel Portas. Os comunistas e João Ferreira diminuiriam seis pontos e passariam de três para apenas um eleito, no que também seria o seu pior resultado de sempre em eleições europeias.

Alexandre Picoto, da Pitagórica, alerta, no entanto, para a possibilidade de haver uma sub-representação de eleitores comunistas nesta sondagem. "É conhecida a dificuldade em identificar em sondagens os eleitores da CDU e também os do CDS-PP", explica, acrescentando que também se questionou os entrevistados sobre o seu voto nas últimas legislativas e que "a CDU aparece com resultados mais baixos do que aqueles que efetivamente teve", o que "pode indiciar uma ligeira distorção amostral".

Socialistas envelhecidos

Os dois maiores partidos estão empatados - a margem de erro da sondagem é de 4% -, mas há diferenças significativas. O PSD destaca-se entre os eleitores dos 25 aos 34 anos, conseguindo mais oito pontos do que o PS (21,2% frente a 12,9% das intenções diretas de voto, sem redistribuição de indecisos). Estes, no entanto, marcam mais 13 pontos na faixa dos 55 aos 64 anos (27,2% frente a 13,6%). Por classes sociais, há um pequeno desequilíbrio a favor do PSD entre os mais ricos (três pontos de vantagem) e uma liderança nítida do PS entre os mais pobres (13 pontos).

Relativamente aos outros partidos, o CDS destaca-se entre o eleitorado mais jovem (18 aos 24 anos), conseguindo 9,1%, mais do que em qualquer outra faixa etária. O Bloco é mais popular entre as mulheres do que entre os homens (cinco pontos de diferença), enquanto os restantes partidos são sempre mais masculinos. A CDU vai buscar a sua força aos eleitores entre 35 e 44 anos (7,5%).

E afinal quando são as eleições?

Os portugueses são adeptos da União Europeia (89% votaria a favor num referendo) e do euro (79%), mas isso não é sinónimo de conhecimento. Se as quatro perguntas que fizemos sobre a Europa fossem um teste, 83% teriam reprovado. Com a agravante de 71% não saberem qual a data das eleições europeias e 14% terem apontado uma data errada. Talvez uma parte da explicação para este último dado esteja no facto de 50% das pessoas reconhecerem que o seu voto é feito em função de questões nacionais. Apenas uma minoria de 31% está preocupada com as questões europeias na hora de depositar o boletim de voto. Os mais europeístas são os eleitores mais novos e os do PSD.

Eurodeputados que poucos conhecem

Mais de metade dos portugueses (55%) não saberiam nomear nenhum dos 21 eurodeputados portugueses. É uma das conclusões da sondagem da Pitagórica para o JN e a TSF. Entre os que conseguem superar o desinteresse, destacam-se Paulo Rangel, do PSD (nomeado por 29% dos inquiridos), Marisa Matias, do BE (22%), e Nuno Melo (14%), que nestas eleições voltam a ser cabeças de lista. Outro repetente, João Ferreira, da CDU, é quase um ilustre desconhecido (4%). Atente-se no caso do PS: Ana Gomes, a única eurodeputada com algum reconhecimento (17%), ficou de fora.

Estabilidade, economia e refugiados

Estabilidade e economia (20%). É a principal preocupação que assoma à cabeça dos portugueses quando se fala da União Europeia. No caso do eleitorado do PSD e CDS (27%) e da CDU (29%), este tema tem ainda maior importância. Na lista de preocupações lusas seguem-se os refugiados (17%), com especial incidência entre os jovens dos 18 aos 24 anos (28%) e os eleitores do BE (20%). A falta de união entre os 28 países fica em terceiro lugar no geral (15%), mas preocupam um pouco mais os eleitores com mais de 64 anos (21%), os do PS (18%) e os da CDU (29%).

Muçulmanos com quotas para entrar

Há temas europeus sobre os quais os portugueses têm opiniões quase unânimes. Talvez por força da amargura da bancarrota e da intervenção da troika, concordam com a necessidade de reduzir a dívida pública (90%) e cumprir as metas do défice (80%). Boas contas que até o eleitorado da CDU, o menos entusiasta, subscreve (86% e 68%). Dois terços dos inquiridos estão também a favor da criação de um exército europeu (64%). Destaque ainda para a maioria (56%) que quer impor quotas aos imigrantes muçulmanos. Um apoio que só não faz o pleno partidário (com os socialistas a serem os mais entusiastas) porque os eleitores da CDU se dividem (43% a favor, 43% contra).