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Autárquicas 2021

Costa venceu mas o sorriso maior foi de Rio (e Moedas)

Costa venceu mas o sorriso maior foi de Rio (e Moedas)

Noite eleitoral mostrou algum desgaste do PS e recuperação de PSD, sobretudo nas grandes zonas urbanas. Conquista de Lisboa pelo PSD chegou de madrugada. PCP volta a perder terreno.

O PS venceu as eleições e continua a ser o maior partido autárquico nacional, com 152 presidências de câmara. Mas o balão deu sinais de esvaziamento (tinha conseguido 161 em 2017). Um dos principais beneficiados é Rui Rio, que na noite de ontem ganhou fôlego suficiente para uma recandidatura à liderança, no próximo mês de janeiro. O PSD subiu em número de câmaras (de 98 para 114) e conquistou concelhos importantes. A notícia da vitória de Carlos Moedas em Lisboa chegou já a madrugada ia avançada e acabou por ser o corolário de uma noite em crescendo.

Como deixou claro o líder social-democrata, foram cumpridas todas as metas a que se propôs. E , portanto, não só não pôs causa a sua continuidade à frente do PSD, como deu nota de que vai à luta: "estamos em condições de ganhar as eleições legislativas de 2023".

António Costa também só apareceu de madrugada, mas ainda antes de se saber o resultado final de Lisboa. E tentou dessa forma capitalizar a "terceira vitória consecutiva" do PS em autárquicas, "depois de seis anos de governação" e de uma "crise terrível" provocada pela pandemia. Ainda assim, frisou, os portugueses "renovaram a confiança no PS".

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Força nas zonas urbanas

Uma das fragilidades apontadas ao PSD, depois do desastre de há quatro anos, apontava à incapacidade de se afirmar nos concelhos mais populosos do país. Mas, até nesse capítulo Rui Rio tem alguma coisa para mostrar aos seus rivais internos. O crescimento foi transversal, mesmo com a ameaça dos novos rivais à Direita, como o Chega e a Inicitiva Liberal.

Esse crescimento traduz-se na conquista de grandes autarquias: quando se analisam os resultados dos 24 concelhos mais populosos do país (os que têm mais de 100 mil habitantes), o PSD está agora na liderança de nove (tinha cinco em 2017). Manteve os que tinha e ainda acrescentou Lisboa, Coimbra, Barcelos e Funchal, todos conquistados aos socialistas. O PS continua a ser o partido com maior implantação urbana, liderando 11 grandes municípios (tinha 14). A CDU passou para dois, ao perder Loures, somando-se mais duas lideradas por independentes.

noite amarga no PCP

Para o PCP, o terceiro maior partido autárquico, a noite foi amarga. O PS evitou um desgaste maior à custa dos comunistas, tanto na Área Metropolitana de Lisboa, como no Alentejo (os socialistas conquistaram seis municípios aos comunistas, mas perderam dois nessa batalha à Esquerda). A CDU ficou com 19 presidências (conseguiu 24 há quatro anos). Longe da reconquista em Almada, com Évora a ser mantida por uma unha negra e Loures a fugir por entre os dedos já de madrugada. Jerónimo de Sousa foi o primeiro líder a falar, reconheceu o mau resultado, mas apontou de imediato ao Orçamento do Estado.

CDS resiste com ajuda

Ainda à Direita, Francisco Rodrigues dos Santos parece ter ganho lastro face aos muitos críticos internos. O resultado do CDS é difícil de avaliar, uma vez que se diluiu num sem número de coligações com o PSD, o que lhe permitiu partilhar os bons resultados e garantiu um maior número de mandatos. Mas também é verdade que, no que diz respeito a presidências de câmara, mantém as seis que tinha, sendo Ponte de Lima a mais importante do lote.

Nota ainda para o facto do Chega ter conseguido superar claramente o Bloco de Esquerda (esta noite, tinha uma vantagem de 70 mil votos) e ter elegido 19 vereadores, em outros tantos municípios. Bastante mais para trás estavam a Iniciativa Liberal e o PAN.

152 câmaras socialistas

Interpretações à parte, foi o PS o vencedor das eleições autárquicas de 2021. Tem quase metade dos 308 municípios do país e mais 38 do que os sociais-democratas.

Independentes conseguiram 16 câmaras

Os movimentos independentes voltaram a conseguir um resultado significativo. À hora de fecho desta edição somavam 16 presidências de câmara (menos uma do que há quatro anos). A mais importante continua a ser a Câmara do Porto, com Rui Moreira reeleito para um terceiro mandato. O mesmo aconteceu em Oeiras, com Isaltino Morais. Uma das conquistas notáveis foi a de Pedro Santana Lopes na Figueira da Foz (era do PS). Mas também é importante destacar a vitória na Guarda (era do PSD) e em Elvas (era do PS). Entre as perdas, destaque para Vila do Conde (para o PS).

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