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Ensino à distância aumenta desigualdades, avança estudo da Fenprof

Ensino à distância aumenta desigualdades, avança estudo da Fenprof

A meio do terceiro período, mais de metade dos docentes ainda não tinha conseguido contactar com todos os seus alunos e, mesmo assim, foram forçados a avançar com novas matérias. Quem o garante é a Fenprof, que divulgou esta segunda-feira, um estudo sobre o ensino à distância, que concluiu pelo agravamento das desigualdades.

"Confirma-se que, a meio do terceiro período letivo, mais de metade dos docentes ainda não tinha conseguido contactar com todos os seus alunos; apesar disso, mais de dois terços avançaram novos conteúdos curriculares, impelidos que foram pelas direções de algumas escolas e pelo Ministério da Educação", destaca-se numa nota de Imprensa, enviada às redações pela Fenprof, sobre um estudo efetuado ao ensino à distância, em que se procurou "saber a opinião dos professores".

"As respostas dos professores não deixam dúvidas, com a opinião maioritária a resumir-se numa afirmação que se poderá tornar icónica: o ensino não é isto, nem nada que se pareça", garante a Fenprof, alegando que o ensino à distância "deixou cada um à sua sorte e todos por sua conta".

Segundo a Fenprof, "a desigualdade entre alunos agravou-se, em alguns casos, perigosamente", quer pela "falta de apoios" quer pelas "repercussões" na família do facto de "dois milhões de trabalhadores" terem ficado em lay-off.

"O desgaste dos professores, que manifestam enorme cansaço, decorre de diversos fatores, que vão da necessidade de adaptação a um modelo inédito de atividade até ao facto de ser bastante mais complicado, estando distante, acompanhar todos os alunos e satisfazer as necessidades educativas específicas de cada um", acrescenta-se.

Para os professores, é "inevitável" que vai-se chegar ao final do ano letivo com "défices". "O próximo ano letivo, pelo menos no início, continuará condicionado por medidas de segurança sanitária, com implicação na constituição de turmas, no resguardo de doentes de risco, nos horários dos professores, na higienização de instalações, nas condições de trabalho e de segurança de toda a comunidade escolar, entre outros aspetos que terão de ser considerados nos diplomas relativos à constituição de turmas e à organização do ano letivo 2020-2021", aponta a Fenprof.