OE2022

"Hipocrisia" e pedido de defesa da honra. Chega e PAN em conflito ao debater touradas

"Hipocrisia" e pedido de defesa da honra. Chega e PAN em conflito ao debater touradas

O último dia da discussão do Orçamento do Estado (OE) na especialidade arrancou com mais uma polémica entre Chega e PAN, desta vez relativa às touradas. O líder parlamentar do partido de extrema-direita, Pedro Pinto, acusou a deputada animalista, Inês Sousa Real, de ser "hipócrita" por se importar mais com os touros do que com a morte de polícias. A parlamentar do PAN solicitou a defesa da honra, tendo merecido o apoio de PS e BE.

O Chega avocou para discussão em plenário, esta quinta-feira, uma proposta para a descida do IVA das touradas. Referindo que existem "alguns aficionados" na bancada do PS, Pedro Pinto desafiou deputados socialistas como Maria da Luz Rosinha, Pedro do Carmo ou Vera Braz a votarem a favor do projeto, apelando a que o PS "largue as amarras do PAN".

"Se ter respeito pelos animais é ser extremista, somos extremistas com muito gosto", respondeu Inês Sousa Real. A deputada única do PAN lembrou que, há poucos dias, morreu um jovem numa largada de touros, subindo o tom para acusar o Chega de ter "os valores do Estado Novo".

Pedro Pinto voltou a pedir a palavra, desta vez para classificar Sousa Real como "hipócrita". "Quando morre um polícia ou um adepto de futebol nunca a vejo falar disso", justificou. Sobre a acusação de ser partidário do Estado Novo, afirmou que é o PAN quem mais quer impor proibições.

Perante a intervenção de Pedro Pinto, Inês Sousa Real pediu ao presidente da Assembleia da República para fazer a defesa da honra, uma figura à disposição dos deputados para protegerem o seu bom-nome sempre que sentirem que o seu caráter é posto em causa.

Contudo, Augusto Santos Silva recordou que, tendo o PAN apenas uma deputada, a defesa da honra teria de ser feita no final da sessão, de acordo com o regimento. Mas tanto o BE como o PS saíram em defesa da possibilidade de Inês Sousa Real recorrer a esse mecanismo de imediato, uma vez que teria sido insultada.

"O insulto pessoal não pode ser usado", afirmou o líder da bancada bloquista, Pedro Filipe Soares, convidando Santos Silva a voltar a ouvir as palavras de Pedro Pinto. O líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, pediu igualmente a palavra para reforçar essa tese.

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Santos Silva acedeu, justificando que não tinha compreendido o teor da intervenção do deputado do Chega. A parlamentar do PAN pôde, assim, fazer a defesa da honra de imediato, tendo lamentado que Pedro Pinto tenha partido para a "ofensa pessoal".

Além de ter acusado Sousa Real de hipocrisia, o deputado em causa tinha também falado em "framboesas e mirtilos", numa alusão à polémica a envolver as empresas da deputada animalista. Esta respondeu que nunca fez "nada de errado" a esse respeito, repudiando que o Chega insista em trazer esse tipo de temas para o Parlamento quando o PAN poderia fazer o mesmo e nunca o fez.

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