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Tudo o que precisa de saber sobre Almaraz

Tudo o que precisa de saber sobre Almaraz

Está no centro de um diferendo entre Portugal e Espanha, que dura há anos e que se agudizou nos últimos dias por causa da construção de um armazém de resíduos nucleares. Mas o que é Almaraz? O JN explica tudo o que precisa de saber.

A central nuclear de Almaraz começou a ser construída, no município de Almaraz (Cáceres), em 1972 e o início da sua laboração deu-se em 1981. Foi a quarta central nuclear construída em Espanha e situa-se a 100 quilómetros da fronteira portuguesa.

A central nuclear de Almaraz tem dois reatores. O segundo começou a funcionar em 1983. Ocupa uma área de 1683 hectares e produz 9% de toda a energia consumida em Espanha. Possui um sistema de refrigeração em circuito aberto, usando as águas do rio Tejo.

Devia ter sido encerrada em 2010 mas a sua licença de funcionamento foi prolongada até 8 de junho de 2020. Apesar de essa ser a data fixada para o seu encerramento, o Governo espanhol decidiu, no final do ano passado, ampliar as instalações, construindo um armazém de resíduos nucleares, nomeadamente para urânio.

Um dos acidentes mais graves ocorreu em maio de 2008, obrigando à evacuação do pessoal do recinto de contenção da central nuclear de Almaraz, para onde se estima que tenham sido libertados cerca de 30 mil litros de água radioativa que, após tratamento, foi atirada para o rio Tejo. Desde o início da atual década, já ocorreu um total de 69 acidentes. O último terá acontecido a 22 de fevereiro do ano passado, com uma paragem automática do reator na unidade 1 (primeira a ser construída). No dia seguinte, ocorreu um pequeno incêndio num dos geradores de energia da unidade 2, que estava em manutenção.

A atividade da central nuclear de Almaraz é monitorizada pelo Conselho de Segurança Nuclear espanhol (CSN), que já denunciou que os geradores de vapor 2 e 3 da unidade 1 (primeiro reator a ser construído) e o gerador de valor 3 da unidade 2 (segundo reator a ser construído) usam peças com irregularidades. Recentemente, o CSN confirmou duas avarias nos motores das bombas de água e alertou para a falta de garantias de que o sistema de arrefecimento possa funcionar normalmente em fevereiro próximo.

Portugal pode ser afetado por contaminação das águas, uma vez que a central se situa numa albufeira afluente do rio Tejo e usa aquelas águas para se refrigerar, e por contaminação atmosférica, pela grande proximidade face aos distritos de Castelo Branco e Portalegre. Daí que o Governo português esteja a exigir a Espanha um estudo do impacto ambiental transfronteiriço pela construção do armazém de resíduos nucleares.

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