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Montenegro é candidato e desafia Rio a ir a jogo

Montenegro é candidato e desafia Rio a ir a jogo

Luís Montenegro anunciou, esta quarta-feira, que é candidato à liderança do PSD. O ex-líder parlamentar desafiou o atual líder, Rui Rio, a ir também a eleições, que para já são esperadas para janeiro.

Numa entrevista na SIC, Montenegro disse que é "candidato por uma questão de coerência e convicção", sem esconder que a sua reflexão "tem muito tempo". "Era previsível pelo rumo que o PSD tomou", defendeu.

"Cada um de nós tem de assumir as suas responsabilidades. E eu vou assumir as minhas. Serei candidato nas eleições diretas, que serão convocadas nas próximas semanas, por uma questão de coerência e convicção. E gostava que o dr. Rui Rio também fosse candidato", defendeu, culpando o líder pelo pior resultado do partido em 36 anos, um resultado "muito mau e que deixa ao PSD muito pouco espaço para se afirmar".

Para Montenegro, Rio pode candidatar-se mas "tem de assumir as responsabilidades pelos resultados a que levou o PSD". "Terá de avaliar pelos resultados que obteve, e as convicções que o movem, se deve ou não recolocar-se ou manter-se na liderança do PSD", salientou.

"O resultado que o PSD teve no domingo foi um mau resultado, que aconteceu com uma estratégia que falhou, que já tinha sido evidenciada nas eleições europeias - com o pior resultado de sempre do PSD para o Parlamento Europeu", disse, considerando que o atual líder transformou o PSD, "nos últimos dois anos, num partido subalterno do PS".

"O PSD não pode estar todos os dias a reclamar por entendimentos com o PS, a reclamar reformas estruturais com o PS", defendeu, dizendo que, ainda por cima, "o dr. António Costa não é um reformista" e "era batível nestas eleições". "O PSD deve deixar de insistir nessa tecla [dos entendimentos] e deixar de dar um ar de subalternidade", acrescentou.

Argumentou que "quando Santana Lopes teve um resultado em 2005 [legislativas] superior ao dr. Rui Rio, o PS teve maioria absoluta". "Isso significa que a fatia de eleitorado que tínhamos no PSD tinha fugido para o PS. Ora, não tendo acontecido isso desta vez, o resultado do PSD é agravado, porque não conseguimos convencer os eleitores que não deram maioria absoluta ao PS", sublinhou, concluindo que "há uma coisa que fica clara nestes resultados: o PS era batível e o dr. António Costa era batível nestas eleições".

Com 46 anos, Montenegro apontou a falta de combatividade ao líder como a principal razão que esteve por detrás do desaire eleitoral do partido, além da falta de estratégia. "Se tivéssemos feito em dois anos o que o dr. Rui Rio fez nas últimas três semanas...", considerou.

Disse que "quando o PS se apropriou da bandeira" das boas contas, "o PSD colou-se ao PS, mostrando uma disponibilidade quase permanente", enquanto internamente teve "uma gestão que criou divisionismo".

Quanto ao que vem, acenou com as bandeiras da "coesão e união". "Estou disponível para integrar nos órgão dos partidos pessoas com sensibilidades políticas diferentes da minha e até apoiantes do dr. Rui Rio", assegurou.

Pretende redirecionar o partido para o campo do Centro-Direita, para que o PSD não seja "o maior dos pequeninos" na área do Centro-Esquerda, em que Rio colocou as hostes laranjas.

"Quero um PSD com um diálogo com todos os partidos, e preferencialmente com os partidos que estão ao nosso lado: o CDS, o principal parceiro, o Iniciativa Liberal, o Aliança. O Chega não entra nestas contas porque manifestamente tem um programa inconciliável e incompatível com o nosso", deixou claro.

Afasta sombra de caso de viagens ao Euro

O ex-líder parlamentar do PSD garantiu estar de "consciência absolutamente tranquila e segura" sobre o facto de ser arguido no caso das viagens pagas por empresas a políticos e governantes durante o Euro 2016.

"Há um inquérito aberto há três anos, para saber se eu fui e como fui ao Euro. Não cometi nenhum crime, tenho a consciência plena que não cometi nenhum crime. Tenho a certeza absoluta que jamais serei condenado pelos crimes que me foram imputados", disse.

Sobre Rio deixou uma alfinetada no final: "Não acredito em homens providenciais, naqueles egos enormes que muita gente tem, segundos os quais nunca se perdem eleições e são detentores de todas as qualidades que um líder deve ter".

Rui Rio permanece em silêncio desde que, após a derrota eleitoral de domingo, começaram a surgir vozes a pedir uma reunião do Conselho Nacional, para a discussão dos resultados, e a antecipação das eleições internas previstas para janeiro.